Quanto cansa esta loucura!

I’ve met some folksVazquezSouza
Who say that I’m a dreamer
And I’ve no doubt
There’s truth in what they say
But sure a body’s bound to be a dreamer
When all the things he loves are far away…

Dick Farrelly, Isle of Innisfree

Também eu nunca vira um moço, com tanta luz na palavra. Não lembro como, exatamente, um dia, o Carlos, a sua voz escrita de olhos abertos, apareceu na caixa do meu correio; cheio de interessantes perguntas e as mais instigantes associações. Deveu ser para algo concreto, para o Galizalivre ou o Novas.

Depois instalou-se aí, no meu correio, com o seu riso, ideias e opiniões, numa conversa que não se fechou mais e que sempre se abria enxergando longe nas cousas de perto e alvejando perto nas cousas de longe.

Com pessoas como o Carlos sempre se aprende e as conversas não podem fechar-se, mesmo ainda que no-lo fechem numa cela.

Agora só posso ler a Carlos por terceiros, ou nesses desenhos saudosos e também por essas notas que escreve na imprensa nas que demonstra qual Fanto Fantini a geometria e forma das prisões e evidencia como os leiteiros são bem muito mais úteis às democracias como guardas que os visitantes inaguardados por muita arma e absurdos mandatos judiciais que levem.

Nessas glosas a mente bebe-se a cadeia, a colheradas, em forma de experiência humana e aumenta o contraste com essa imprensa canalha sempre presta a defender interesses aleatórios decote para propaganda de umas fantasmais classes dirigentes.

A intensidade da escrita e das ideias termina sempre por apagar as prisões, a anedota contemplada na vida nómade, a quotidianidade nas celas, no pátio, na conversa com os companheiros, na conta das peregrinações arbitrárias ante juiz ausente, nesse amigo tempo que vai morrendo injustamente castigado, tudo destila-se em analise social e evidencia a injustiça, a crueldade, a barbárie.

Mas quanto cansa esta loucura: longe da Terra e dos seus, longe de nós. Afastado das cousas queridas e interrompido na construção permanente.

Carlos, Antóm, Maria e tanto outro pessoal cujo único delito é militar nas filas dos sonhadores, faço votos pela vossa justa liberdade.

Ernesto Vázquez Souza, escritor e investigador galego.

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