Pola volta do Carlos

meixideNon sei ben se coñezo a Carlos, ou si, seguramente o coñeza, seguramente teñamos coincidido máis dunha vez, non son tantos os Carlos xornalistas que andamos por Compostela e ese sorriso da foto resúltame coñecido… Non son tantos, en definitiva, os mozos desta cidade comprometidos co país ata o ponto de colaborar cun medio de comunicación alternativo que desvela as atrocidades dos poderosos do país, ou que axudan a erguer centros sociais activos e abertos que poñen en evidencia o odio acérrimo dos desleigados que gobernan esta cidade cara a todo canto siñifique creatividade, comunidade, cultura e lingua galega, monstros de garavata e rosario que fixeron da penitencia salvoconduto para arrasaren esta cidade que, en tempos fora iso, cidade, hoxe apenas un ermo onde o máis fascinante que pode facer un é patinar durante catro meses ao pé da Berenguela.

Un quere pensar ás veces que, malia todo, o mundo non é de todo inxusto, pero é imposíbel abstraerse deste pesadelo kafkián. De súpeto, un día, dinche que levaron un mozo, un veciño; aos poucos días, é unha moza, unha veciña, talvez unha amiga, a que é arrincada da súa familia e dos seus amigos. O horror non razoa nin atende a razóns. É así: cego, xordo, arbitrario, insensíbel… inda que teña cara de pimpín untado en Nivea.

Hoxe coñezo mellor a Carlos. Vexo os seus deseños, os seus pensamentos, as súas reflexións neste blog e confírmame o que xa presentía, e é que compartimos un anceio común: o humilde anceio de non querermos ser estranxeiros na nosa propia terra. Por iso agardo a súa volta, e a de tod@s @s compañeir@s que sofren o horror nos peores penais do Estado: Porque hai moito que facer e, ante todo, non poden roubarnos o sorriso, pois o sorriso é o país que nos queda, polo que paga a pena seguir loitando.

Carlos Meixide. Xornalista, escritor, monologuista, membro de Os da Ría.

Olhar sem medo a injustiça, sementar a liberdade

pepeariasNunca esperei, Carlos, que o teu nome aparecesse nos meios de comunicaçom da forma que apareceu, numha operaçom mediática e propagandista que pretendia criar falsas alarmas num momento especialmente complicado para este país. Nos tempos nos que palavras como emigraçom ou paro reaparecem de novo para ficar, para condenar, como aos inícios do XX, umha nova geraçom de galegas e de galegos, os meios de comunicaçom deste regime descomposto sinalárom-te a ti como umha ameaça. Passamos muitíssimas horas da nossa vida dialogando e falando, analisando todos estes fenómenos ensaiados noutras latitudes diferentes à nossa, compreendendo esta realidade para superá-la, para termos um futuro próprio e digno, nosso.

Foi em Compostela quando nos conhecemos, quando perdemos a batalha – lembraste? – contra Bolonha. Horas de assembleias, coladas de cartazes, tardaria muito em pôr todos os nomes que me venhem à mente daquela. Felizmente e contra o meu pessimismo patológico, parece que de novo se reactiva o movimento estudantil, de novo contra a privatizaçom. E virám mais assembleias, mais cartazes, mais brochuras. Porque os nossos direitos som as luitas de ontem, as luitas de hoje serám os direitos de amanhá.

Desde que nos privárom de ter-te aqui passárom muitas cousas. Roubam os aforros dos pensionistas e dos velhos em forma de estafa bancária, a polícia despeja por ordem judicial as casas por nom poder pagar as hipotecas e os políticos que nos governam criminalizam e militarizam os protestos. Deixam-nos sem sanidade pública, sem educaçom e sem serviços sociais, mas a dotaçom para material anti-distúrbios multiplica-se até alcançar máximos históricos. Parece que decidírom que as ruas sejam um campo de batalha e nom um espaço para a reivindicaçom e a protesta. Pronto, mui pronto, a verdadeira defesa da democracia fará-se nos piquetes da vindeira greve geral nacional. E enquanto todo isto passa, quando convertem ao parlamentinho num circo onde os palhassos vam em carro oficial, enquanto nos roubam os poucos direitos adquiridos da “nossa” autoanémia, tenhem  seis cidadaos galegos longe da casa, estendendo o sofrimento a amigos e familiares.

Lembro-me dum artigo em que me corrigiche as gralhas em que me perguntava se existe a presunçom de inocência. No Reino de Espanha onde nascem novas figuras jurídicas como a desimputaçom para gente de ordem que se lucrárom mediante entidades filantrópicas, em que gente processada por estafar quantidades ingentes de quartos pode ir esquiar fora do Estado com absoluta liberdade, e em que o presidentinho nom sabe exactamente onde está a neve. Eles sempre serám inocentes. E senom, serám indultados.

Porque nom nos resta mais remédio que levantar a bandeira da liberdade perante a injustiça. Para que a língua e a memória histórica tenha vida e presença em Ordes. Para poder ler as tuas palavras no Novas da Galiza e no Galizalivre. Para poder-te abraçar depois de tanto tempo, e discutir sobre as urgências do presente, como nom pode ser doutra maneira entre nós. Porque o que digam os néscios propagandistas da longa noite do capital nos seus jornais e o que ponha um papel de qualquer tribunal nunca poderam justificar que estejas a quilómetros de Loureda, que exista um juízo paralelo criado por esses mesmos nescios onde já es culpável, onde a voz e o sofrimento do teu entorno nom está presente.

Eu prefiro reencontrar-me contigo em Sam Pedro, essa rúa em que vivemos tantos momentos bons. Umha aperta imensa, amigo.

Pepe Árias. Activista social e cultural, militante do Movemento pola Base e membro da Coordenadora Local de Anova-Compostela

A noite continua

concharousiaHá algum tempo que me resgato com poesia. O sofrimento humano actual, por muitas e diversas razões, é imenso. Pior ainda é por mor desse sofrimento ser infringido de forma desnecessária polo poder central que nos arranca uns dos outros, nos parte, nos desmembra a cada vez que separa um filho da Galiza para o reter com garras alheias e estrangeiras, para o reter longe do coração e da mornura.

Se digo que estamos desprotegidos não digo verdade, pois a realidade necessitaria de palavras muito mais reais, mais cruas, mais duras como elas são. Por isso é que eu me resgato com poesia, disfarçando com sentidos novos as palavras, para ir tolerando tanta dor, tanta dor injusta, tanta frustração e tanta raiva… Raiva que querem que bebamos como lágrimas que caíssem para dentro do nosso corpo.

Um observador agudo, descolonizado, sem a visão condicionada polo que o poder central leva instalado nas nossas mentes, não se deixaria enganar por esta aparente justiça. Como não o enganariam com o jeito de ‘fazer’ justiça com os escravos, legalmente escravo noutra época, a forma de sermos escravos vai mudando.

Há algum tempo que me resgato com poesia, me refugio nela para sobreviver à dor imensa de ver como esfarelam devagarinho o nosso mundo milenar. A Carlos e aos outros companheiros e companheiras roubados do seu povo, da sua pátria, da sua língua, especialmente em maio, em que teriam que estar aqui conosco, cantando, reivindicando, festejando o nosso ser colectivo, para eles vai este meu poema, que escrevi há algum tempo, mas que se adapta como uma luva a hoje. Vai com o meu melhor abraço, e com meu desejo de que dalguma forma eles também se resgatem com estes versos:

A Noite continua

É noite, e meus irmãos andam perdidos
meus irmãos e irmãs andam longe de casa
dessa casa nossa que não tem portas
nem tem saídas, nem sequer tem janelas
para que eu respire…

É noite e o inimigo fechou fora de nós a nossa Estrela
já não podemos cantar sem saber onde é acima
onde é abaixo e para onde iria a voz do nosso canto
não adianta cantarmos neste mar de pedra
que fixa nossa barca a um sem-rumo certo

Hoje poderia perguntar-me tantas cousas…
poderia perguntar-me se valeu a pena ter vivido
agora que sinto como se nunca tivesse nascido
acaso podemos dizer que a flor que nunca viu o sol
que não tem cor, que não tem cheiro… Nasceu?
Não me importo com que os morcegos a sintam
eu falo do que sente a rosa…
do que sente ela sem sair da noite 
sem saber o que é o dia
o que é o voar das borboletas
eu falo de jardins condenados a morar nas mãos
de jardineiros cegos que detestam flores

Mas a rosa também é um conceito, eu sei
basta que alguém a conceber e ela existe

Hoje necessito acreditar cegamente nisso
sei que não posso, como tantas outras vezes
que também não pude e depois me ergui
porque eu tenho que continuar minha espera
tenho que manter o lume acesso noite fora
eu sei que meus irmãos ainda podem voltar
porque eles seguem fora, seguem perdidos

Manterei o lume aceso para seu regresso
juntarei mais e mais e mais lenha
eu ficarei sempre a esperar por eles

É noite e meus irmãos andam perdidos…

Concha Rousia. Escritora e psicoterapeuta

Cadeas non apresan, ceiban loitas

Hai prisións que pechan os nosos corpos, illándonos, evitando tocar outros corpos. Outras prisións, tentan pechar os nosos pensamentos e a poesía que deles manan. Cadeas con muros que nos deixan dentro ou que nos manteñen fora, son muros que nos separan, muros que hai que tombar.

As imaxes deste vídeo amosan a antiga cadea provincial da Coruña en Monte Alto. Unha cadea que pechou a milleiros de persoas e que serviu, durante a Guerra Civil e a ditadura ás demandas da represión fascista. Alguns dos presos políticos e comúns que alí estaban mirando ao mar non chegaron a saír con vida. Outros si, axudados tamén polas familias e amizades que desde fora e con xenerosidade mantiñan vivas as súas forzas e esperanzas.

Hoxe a cadea está baleira, oxidada como haberían de estar todas as prisións. Baleiras de presas que por pensar diferente ou non encaixar no noso mundo viven condenadas á represión e illamento baixo un sistema que non deixou de ser fascista.

Estas imaxes amosan unha cadea con nomes e apelidos, mais falan de todas as cadeas.

Nós cremos que os terroristas e ladróns son outros. Son os que viven sangrando a xente neste sistema capitalista, patriarcal e opresor. E precisan continuar con este sistema para seguir vivindo ben, pechándonos en celdas sen xanelas.

Cada un dos muros que nos illan, muros de cemento ou de pensamento, son muros opresores para derrubarmos todas xuntas.

As Candongas do Quirombo. Maio 2013. Colectivo poético audiovisual formado orixinalmente pola poeta Andrea Nunes Brións e a comunicadora audiovisual Raquel Rei Branco.

Por umha nova aliança pola língua

Os relatos do “contrato social” o “consenso” ou a “democracia” constituem a cobertura mitológica –a sociodiceia- de origem arbitrária e violenta dos regimes políticos que nos governam, como o saído da Transiçom. “A cada instante da sua existência –dim os Tiqqum-, a polícia lembra-lhe ao Estado a violência, a trivialidade e a obscuridade da sua origem”. O regime lingüístico galego, saído da criaçom da Autonomia e que arrastamos até hoje, nom é umha excepçom. Instaurado de jeito autoritário polos sobreviventes do franquismo contra um  modelo prévio mais democrático e contra a vontade da imensa maioria da gente implicada na restauraçom do idioma –professorado, sindicatos, associaçons culturais, partidos políticos, intelectuais, etc.- a essência do Decreto Filgueira apreende-se no funcionamento da sua polícia: cumplicidade com os incumprimentos a nível normalizador; guerra aberta contra a heterodoxia normativa. Nengum professor foi sancionado por negar-se a dar as suas aulas em galego em quanto se perseguia todo um colectivo que dava ao seu alunado umha visom mais plural da língua galega.

Sem entrarmos a detalhar a evoluçom da situaçom até hoje, o certo é que este dispositivo resultou altamente eficaz para os interesses espanholistas: criou um campo de confronto no seio do “galleguismo”, politizou e fanou o debate científico, filologizou o activismo lingüístico e polarizou-no entre duas escolhas ortográficas a “todo ou nada”. Em resumo, criou umha armadilha. Nom tanto polo mais ou menos evidente “divide e vencerás”, como porque configurou umhas regras do jogo tais que no melhor dos casos só nos é possível ir “de vitória em vitória até a derrota final”.

Hoje, após décadas de guerra de grafias e com o conflito quiçá menos quente e em areias menos áridas, é umha evidencia que nengumha das duas focagens, a reintegracionista e a isolacionista, vai ser capaz a meio prazo de impor-se e criar umha hegemonia sólida. Também o é que activistas de umha e outra opçom amam profundamente a língua e trabalham a diário por revitalizá-la; que vem os confrontos desde a saudável distancia do sentido comum e sabem reconhecer as partes de umha e outra opçom. Que nom precisam partilhar critérios para indignar-se porque por causa da normativa ortográfica lhe neguem subsídios a un periódico galego e lho dem a outros escritos em espanhol. Alguns dos projectos galeguizadores mais recentes –como meios de comunicaçom ou editores- som umha boa mostra de como por baixo esta pluralidade é assumida de jeito natural, respeitando a escolha ortográfica de cada quem e vendo nisto mais umha riqueza do que um problema. Também experiências actuais do soberanismo demonstrárom no seu dia a dia como com sensibilidade e algo de imaginaçom se podem respeitar os dous sentires ortográficos. Se noutras naçons oprimidas, como Irlanda ou o Pais Basco, a precária situaçom das nossas línguas os levou a terem que empregá-las junto com as dos Estados aos que se enfrentam, nom devera ser para nós um drama normalizar o emprego de duas ortografias quando for preciso. De igual jeito que os mesmos pés, dependendo do terreno, podem avançar melhor calçando chinelos ou botas de goma; também o galego pode caminhar melhor com umha ortografia ou outra dependendo do terreno. Ora “galiña”, ora “galinha”, temos duas formas de que nom nos obriguem a dizer “gallina”. Numhas ocasions funcionará melhor umha e noutras outra, simplesmente.

Para atingirmos este novo contexto favorável para todas e todos, onde a cooperaçom prime sobre a competiçom, há que começar polo mais elementar: reconhecer a outra opçom como válida e respeitável; desterrar para sempre categorizaçons que som insultos que mesmo denegam a galeguidade, tais como “português”, “espanhol”, “castrapeiro”, “crioulês”, etc. Criar umha nova sensibilidade e responsabilizar-nos. Esforços e gestos que, como é óbvio, nom serám simétricos em ambas as partes, embora imprescindíveis por igual. Desfilologizar o activismo lingüístico ao mesmo tempo que o âmbito académico levante vetos e censuras ao verdadeiro debate científico. Abandonar a concepçom da “unidade” como “monolitismo”: haverá cousas nas que se coincida e noutras em que as escolhas sejam opostas; nom se trata de fabricar umha normativa de concórdia, trata-se de criar um espaço de respeito, convívio e cooperaçom. Falar e aprender de experiências como a de Noruega, onde convivem de forma oficial duas normativas ortográficas diferentes sem maiores conflitos nem problemas educativos.

Lutar por objetivos amplos de promoçom da nossa língua, como os da ILP Valentim Paz-Andrade –apoiada, por certo, por utentes de umha e outra ortografia- será fundamental de cara aos vindouros anos. Mas também muitas outras iniciativas que nom dependem de hipotéticas maiorias no mercado político. Com audácia e imaginaçom, por exemplo, um grupo de independentistas bascos de Navarra levárom as televisons bascas às suas comarcas sem aguardar por permissos políticos: mercárom umha estaçom de televisom e instalárom-nas eles próprios no monte. Aqui e agora, tampouco fai falta esperar autorizaçons estatais para, por exemplo, levantar o veto ortográfico que subsiste em facultades universitárias, prémios literários ou editoriais.

Em definitiva, seguindo as palavras do que fora o primeiro catedrático de língua e literatura galega, nom se trata tanto de ter que escolher entre umha ortografia e outra como de adoptar umha atitude face à língua autoritária ou democrática.

Carlos Calvo Varela. Topas, 19 de Abril de 2013

olga6

Al pan, pan; y al vino…

scaleGuardia Civil vén de conmemorar o 169 aniversario da súa fundación, e polo tanto, actividade armada. No acto, celebrado na cidade da Coruña e segundo información do xornal La Voz de Galicia, foron condecorados tanto “gardas” como persoal alleo ao “corpo”. Un deses premiados alleos foi o xornalista José Manuel Pan, redactor do citado xornal e “que habitualmente cubre las informaciones sobre el instituto armado y la Dirección General de Tráfico” segundo o propio medio.

Non parece un recoñecemento menor nin casual. Adóitase reclamarlle ao xornalismo a condición de imparcial, que debera ser unha característica que en último termo residira na honestidade persoal do propio xornalista. Ben é certo que este recoñecemento queda certamente admirable e esixible na teoría, pero tórnase moi difícil de compaxinar cando reparamos en que, no fondo, estamos a falar de que un traballador ouse desafiar ordes directas de superiores xerárquicos.

A patoloxía que sofre hoxe en día o xornalismo reside aí. Como ben comenta Pascual Serrano, “os medios tentan dar aparencia de neutralidade, pero o xornalista ten que ter valores e tomar posicións”, malia que este desexo sexa altamente impracticable nas deplorables condicións laborais da profesión, aspecto que tamén denuncia o propio Pascual Serrano. Cando o profesional non exerce a dignidade, ben sexa por pura prostitución ou porque as súas condicións reais llo impiden, non podemos falar de xornalismo. Que temos entón? Pois nin máis nin menos que a simples escribentes que, en moitos casos, tan só transcriben as notas de prensa dunha parte, que obviamente sempre é a máis forte. O acto pornográfico adquire maior dimensión cando se violan todas as normas da ética, dos códigos deontolóxicos e do sentido común, cando se sabe que se causan danos irreparables e se fulminan dereitos fundamentais como a presunción de inocencia pero se está a servir unha farsa, ou cando menos, unha versión sen confirmar.

Unha simple busca na web da Voz ofrécenos unha das vías polas que relacionar ao citado xornalista co galardón que lle foi concedido. Pan é unha das sinaturas habituais nas novas que elabora o xornal (non nas de axencia) sobre a presunta existencia dunha banda terrorista no noso País e sobre as detencións de supostos membros desa invisible organización, así como as súas peripecias e as irrefutables probas que vincularían a cidadáns galegos situados na disidencia política con actos delitivos. Dito doutro xeito, este xornalista é un dos servidores da fábula que os corpos de seguridade, o Ministerio do Interior e a Delegación do Goberno están a artellar sobre a presunta existencia de terrorismo en Galiza.

Cando o xornalismo se deita co poder deixa de cumprir a súa función, e polo tanto, deixa de ser xornalismo. Precisamente iso, que non exista xornalismo, é o que premia o aparello institucional español e do que se serve para publicar as súas “informacións” nos medios ao seu servizo.

Xogo descuberto.

O homem que se cria morto

Esta manhá quando caminhávamos polo pátio, o Andoni, um preso político de Tolosa que está a estudar psicologia, explicava-me o último que lera: umha investigaçom sobre os estereótipos negativos da velhice, que após um amplo estudo estatístico, conclui que os velhos que assumem esses estereótipos (que som um estorbo, que já nom valem para nada, que nom estám em idade de brincar ou dedicar-se ao amor, etcétera) vivem de média uns sete anos menos que os que que os rejeitam. “Tanto se crês que podes como se crês que nom podes, estás no certo”, sentenciava Henry Ford quando se dedicava à ontopraxeologia.

Ainda estávamos a remoer nestas metafísicas práticas quando apareceu o Ali, um preso social Kazajo. Umha enorme chaqueta de pana, jersey feito a mao com os desenhos e cores tradicionais do seu país, e botas de montanha, dam-lhe um aspeto de pessoa extraordinária. Sempre com o tabuleiro de xadrez baixo o braço, hoje nom vinha à procura de vítimas dos seus xaques, senom com ganas de botar uns contos. Falou-nos de cómo no seu país, os nenos que iam tornar as vacas nos prados brincavam entre restos de satélites da URSS, que tinha no país as suas bases aeroespaciais. Os camponenses viam tal despregamento tecnológico como umha barbárie: “a cada pouco morria algum cosmonauta nas suas missons. Normal. Se Deus já fijo a Terra para nós, e o Céu para ele, que vam procurar ali?”. Os camponeses do Kazajistám som sábios como o nosso Guerra da Cal, que insistia em que “a civilizaçom nom é pôr o homem na Lua, senom pôr o homem no lugar de outro homem”.

Lançamo-nos com os contos, e o basco contou um da tradiçom russa, que emprega o psicoterapeuta argentino Jorge Bucay  para explicar-lhe aos pessimistas os perfigos das profecias auto-cumpridas. Chama-se “O homem que se cria morto”, e di assim:

Havia umha vez um homem mui apreensivo e temeroso da morte. Num dia de especial loucura de-lhe por pensar que estava morto, e mesmo lho comentou à mulher. Ela, claro, escachou com a risa, e dixo-lhe que se tocasse na frente, nos pés e nas maos.

– Vés parvinho? Estám mornas. Se estivesses morto estariam frias.

Semanas depois colhei a burra e foi ao monte cortar lenha. Quando se pujo maos à obra nevava já bastante. Num descanso, sem pensá-lo, passou a mao pola testa. Estava fria. Acordou-se ao momento do que lhe dixera a lmulher e tirou luvas, botas e carpins e comprovou que tinha as maos e os pés como o gelo.

– Nom há dúvida: chegou o meu dia.

‘Dando-se conta’ de que estava morto, razoou que nom era boa cousa para um cadáver cortar lenha, e deitou-se no chao com os olhos pechados e os braços cruzados piadosamente sobre o peito.

Ao pouco apareceu umha jauria de cans bravos, que se acercavam às alforjas do burro onde guardava o almorço. Ao nom achar ameaça, os cans decidírom-se e dérom conta da comida. O homem pensou ‘Ah! Sorte que tenhem! Se nom estivesse morto dava-lhes umha boa tunda’.

Nom satisfeitos, os cans olhárom para a burra atada a um carvalho. A fácil presa botou a ornear aterrorizada. O homem, de nom estar morto, protegeria ao animal com paixom.

Após daram conta da burra, ainda rilhando nos ossos, os cans fixárom-se no homem deitado no chao. Achegárom-se a ele mui lentamente, de vagarinho, pois os homens som perigosos. Aos poucos os babejantes cánidos rodeárom-no.

– Parece que me vam comer. Deus que os fundou! Se nom estivesse morto rebentava-vos agora mesmo!

Os cans achegárom-se… e vendo a sua imobilidade comérom-no.

Subim à cela com a sensaçom de passar toda a manhá a falar da Galiza, e já nom lembrava se o psicoterapeuta se chamava Jorge Bucay ou Albert Memmi.

Carlos Calvo Varela. Valdemoro, 7 de março de 2013.

olga

Iniquidade

marcosseixoNun recente discurso parlamentar, Xosé Manuel Beiras manifestaba sentir noxo de ter que tratar nunha cámara de representantes un tema tan repulsivo desde o ponto de vista moral como é o das relacións do presidente da Xunta co coñecido narcotraficante Marcial Dorado, e incidía en que resultaba especialmente noxento por esta producirse no intre do falecemento de José Luis Sanpedro, “que é un deses seres humanos que lle fan a un sentir orgullo de pertencer ao mesmo xénero, xustamente na antítese do que me sucede con vostede, señor Núñez”.

Coido que calquera persoa que teña un mínimo de decencia moral, ou simplemente de sensibilidade, ten que sentir o mesmo noxo. Noxo de vivir nun Estado que se ceba cos sectores máis febles da sociedade; que en conivencia cos magnates da banca rouban os aforros de toda unha vida a unha parte da cidadanía ao tempo que cos súas chamadas forzas da orde reprimen violentamente as súas máis que lexítimas protestas, e cualifícanas de intentos de desestabilizar o goberno elixido polo pobo. Noxo de estar submetidos a un sistema que está a levar á ruína a multitude de familias, condenadas ao paro, á miseria, ás deficiencias e retallos cada vez maiores nas prestacións públicas en saúde, ensino, servizos sociais…, fechando unidades de urxencias, denegando bolsas de estudos, botando as familias das súas casas, prohibindo ás mulleres decidir sobre o seu propio corpo…, ao tempo que inchan de cartos as arcas da Igrexa e a banca e van privatizando a sanidade e a educación, para que as oligarquías manteñan os seus privilexios.

Noxo de ver como levan a cabo unha política de exterminio do idioma galego, que mesmo escandaliza as institucións europeas, ao tempo que se xustifican na “liberdade lingüística”, no “bilingüismo harmónico, cordial, sen imposicións…”, chegando a asegurar que a lingua española está en perigo pola “imposición” do galego. Noxo destes fascistas que non condenan o chamado alzamento nacional nin a ditadura mais si que proscriben as investigacións sobre a memoria histórica e o recoñecemento ás vítimas do franquismo. Que acabaron de destruír algúns dos nosos sectores produtivos básicos, como o agrario, o lácteo, o naval, ao tempo que se gaban con retranca de faceren grandes logros para estes tempos que corren. Noxo do suborno dos medios de comunicación, que ocultan as noticias que non lles interesan ou disfrázanas en función da rendibilidade electoral. Noxo, en fin, do nepotismo, do roubo, da corrupción, do financiamento irregular dos partidos, de todas as desfeitas urbanísticas, ecolóxicas…

E o máis abraiante de todo é que se atrevan a reprobar e criminalizar todo tipo de mobilización social e que apliquen unha censura que mesmo sería severa nos tempos de Franco, de xeito que xa se van facendo normais titulares como: “Los profesores podrán ser despedidos por expresar opiniones personales” ou “Interior prohibe a los agentes utilizar el término ‘escrache’ para que lo sustituyan por ‘coacciones’ o ‘amenazas’”…, por non entrar no que atinxe á familia real da que se ocultan o apupo continuo por parte do pobo, como o acontecido en Oviedo nos actos de entrega dos premios Príncipe de Asturias, ou a pitada que recibiu o príncipe das afeccións do Bilbao e o Barcelona ao soar o himno español, entre outras. Mais sistematicamente cando os feitos saen á luz axiña se encargan os medios de indicar que non se trata do pobo senón de “grupos organizados”.

Como é posible que cargos do Ministerio do Interior teñan a desvergonza de chamarlles “os violentos” ás persoas que saen á rúa en defensa da honradez política, da xustiza e dos dereitos básicos, ou que os propios mandos policiais, pagos polo pobo, denominen aos manifestantes pacíficos como “el enemigo”. Como se pode sacar unha lei que penaliza con severidade a quen dea acubillo a aqueles que o precisan se non teñen os papeis en regra, ou outra que impón fortes sancións aos que procuren alimentos nos contedores do lixo?

Perante esta situación, como é posible que neste sistema fedorento se cualifique hipocritamente de terroristas a persoas como Carlos Calvo? Acaso é terrorismo exercer o lexítimo dereito á disidencia e á resistencia frente á opresión? Están tamén proscritas a rebeldía e a dignidade?

As restricións nos dereitos humanos; a brutal represión dos movementos sociais e políticos, nomeadamente do independentismo; o emprego da violencia desproporcionada na represión das mobilizacións populares ou mesmo da tortura en interrogatorios policiais (e isto xa ten sido denunciado polo propio Consello de Europa que fala literalmente de “malos tratos, torturas e vexacións a detidos e internos”); a agonía de milleiros de mozos e mozas, vítimas das drogas e da ausencia de perspectivas de futuro; a morte de persoas debido ás deficiencias sanitarias, provocadas polos retallos na sanidade; ou os cada vez máis numerosos suicidios propiciados polas políticas de desafiuzamentos…, iso si que sen dúbida son actos de terrorismo.

Paréceme unha ironía escoitar a Feijoo denominando as mobilizacións de solidariedade con independentistas presos como “actos fanáticos y fascistas”. E desde logo un suxeito que tivo relacións directas con narcotraficantes, nas que ben seguro houbo intereses cruzados vinculados co financiamento das campañas electorais, está totalmente deslexitimado para chamar terrorista a ninguén. Nas hemerotecas están as impúdicas relacións de Fraga e outros dirixentes deste partido co Ligero ou con Sito Miñanco, este último ademais militante de Alianza Popular e pai dun afillado do propio Fraga. Xente á que non se lle aplica a denominada lexislación antiterrorista, que reciben un trato privilexiado na cadea e que ao saír xa poden gozar dunha fortuna amasada co sangue da nosa mocidade. Por certo, que na crónica que sobre detención do tamén independentista Adrián Mosquera publicaba El Faro de Vigo, aparecía unha alusión ao noso idioma que resulta bastante suxestiva, pois semella deducirse que falar galego en determinados ámbitos formais é tamén un delito. Aínda que, por desgraza, cada vez estamos máis afeitos a escoitar expresións deste estilo: “El detenido también justificó ante el juez, en gallego, su presencia en la zona en que fue detenido, alegando que se encontraba a 500 metros del domicilio de unos familiares”.

Quixera rematar este texto co poema titulado “A Iniquidade”, de Orballo da Media Noite de Roberto Blanco Torres, cuxos versos adquiren cada vez unha maior actualidade. 

(…)

Defenden a lei vigente

que lles ampara o dereito

á folganza i-a sumire

o sangue do pobo enteiro.

Defenden a monarquía

─anacrónico esperpento─

porque trae de longas épocas

da lobregueza dos tempos,

unha tradición de aldrajes

e unha historia de atropellos.

Defenden á igrexa porque,

pervertidol-os conceutos

─da mesma sorte que as almas,

secas didiante o misterio─

da religión fan peldaño

dos apetitos nojentos,

(…)

Porque todol-os parásitos

s´entenden entre eles mesmos.

Defenden a autoridade

porque n-ela ten sustento

a transgresión que os validos

fan da lei e do dereito.

Marcos Seixo Pastor. Historiador, profesor e escritor

Pegas em concelho aberto

A tradiçom democrática galega ainda devia manter certo vigor a começos do século passado, quando um Outeiro Pedraio empregava o concelho aberto como símil de todo tipo de juntanças: “falavam os patrons por riba das cápias dos muros quando as pegas se amoream nos outeiros no seu conelho aberto pola castanheira”; e no seu magnífico relato anti-automobilístico “O angaceiro das estradas”, até os modernos caminhos de asfalto se reunem em assembleia galega.

Nas democracias tradicionais –dos concelhos abertos na Galiza às aarch na Cabília- o povo que se junta fai-se a si memso num goce do comum que (con)funde médios e fins. Como os longos cabelos das nenas da classe operária inglesa, que permitem a Chesterton impugnar todo o capitalismo: porque para poderem ter o cabelo longo e cuidado tenhem que ter um fogar ajeitado, para terem um fogar ajeitado os seus pais nom podem estar fadigados e embrutecidos pola exploraçom, e para isso é preciso umha revoluçom.

No extremo oposto, Alèssi dell’Umbris denuncia a democracia de mercado, que primeiro fai todo atisbo de laço comunitário e depois recompom-nos de jeito artificial, como um esqueleto sem tendons, “nas jornadas eleitorais, na cabina de voto, denominada isoloir em francês: “na República [francesa] o isolamento do indivíduo é o que converte este em cidadao”. Eliminadas as vivências comuns, a democracia é um final triste e absoluto: “na França todo –literalmente- remata em eleiçons”, como o maio do 68.

Simplesmente sair do isoloir já é delito, porque o coletivo é perigoso: por isso proliferam ordenanças municipais que proibem juntança de mais de duas pessoas a falarem na rua; eis a verdade sublimada nos chistes racistas nos que mais de dous mussulmanos juntos estoupam automaticamente; e a justiça espanhola a receitar condenas por delitos coletivos –“organizaçom terrorista”, “associaçom ilícita”- unicamente contra a dissidência –últimos refugos coletivos- e jamais contra os GAL, BVE ou PP.

As pegas, de Clichy-sous-Bois, Loureda ou Quistiláns, já saírom do isoloir no que nunca estiveram. E no concelho aberto como nas outras tradiçons, é sabido, imos encontrar mais do que se perdeu. Pegas nas que os puristas verám só “gralhas”. Porque “temos algo em comum/umha verdade/que é algo mais/que impotência”.

Carlos Calvo Varela. Cárcere de Valdemoro, 2 de março de 2013

Luz Fandinho: Seguir com um sorriso

Luz Fandinho, escritora e activista galega, luitadora polos direitos colectivos e individuais, nom duvida em pronunciar-se a favor de Carlos Calvo e dos presos galegos.

“Está repetindo-se o que fixo Franco (…) Agora os ladrons de guante blanco estam ceibos, os que cometem o verdadeiro terror som os que encarceram a estes moços e estam usurpando-nos todo e querem fazer-nos tragar mentiras a eito, como que estamos vivendo numa democracia, eu chamo-lhe dedocracia. É arrepiante. Temos que saber resistir, saber-lhes dar alento a esses nossos filhos. A mim nom me fam abalar rodas de muinho. Temos que seguir nom chorando, senom inclusive se somos capazes, com um sorriso”