Olhar sem medo a injustiça, sementar a liberdade

pepeariasNunca esperei, Carlos, que o teu nome aparecesse nos meios de comunicaçom da forma que apareceu, numha operaçom mediática e propagandista que pretendia criar falsas alarmas num momento especialmente complicado para este país. Nos tempos nos que palavras como emigraçom ou paro reaparecem de novo para ficar, para condenar, como aos inícios do XX, umha nova geraçom de galegas e de galegos, os meios de comunicaçom deste regime descomposto sinalárom-te a ti como umha ameaça. Passamos muitíssimas horas da nossa vida dialogando e falando, analisando todos estes fenómenos ensaiados noutras latitudes diferentes à nossa, compreendendo esta realidade para superá-la, para termos um futuro próprio e digno, nosso.

Foi em Compostela quando nos conhecemos, quando perdemos a batalha – lembraste? – contra Bolonha. Horas de assembleias, coladas de cartazes, tardaria muito em pôr todos os nomes que me venhem à mente daquela. Felizmente e contra o meu pessimismo patológico, parece que de novo se reactiva o movimento estudantil, de novo contra a privatizaçom. E virám mais assembleias, mais cartazes, mais brochuras. Porque os nossos direitos som as luitas de ontem, as luitas de hoje serám os direitos de amanhá.

Desde que nos privárom de ter-te aqui passárom muitas cousas. Roubam os aforros dos pensionistas e dos velhos em forma de estafa bancária, a polícia despeja por ordem judicial as casas por nom poder pagar as hipotecas e os políticos que nos governam criminalizam e militarizam os protestos. Deixam-nos sem sanidade pública, sem educaçom e sem serviços sociais, mas a dotaçom para material anti-distúrbios multiplica-se até alcançar máximos históricos. Parece que decidírom que as ruas sejam um campo de batalha e nom um espaço para a reivindicaçom e a protesta. Pronto, mui pronto, a verdadeira defesa da democracia fará-se nos piquetes da vindeira greve geral nacional. E enquanto todo isto passa, quando convertem ao parlamentinho num circo onde os palhassos vam em carro oficial, enquanto nos roubam os poucos direitos adquiridos da “nossa” autoanémia, tenhem  seis cidadaos galegos longe da casa, estendendo o sofrimento a amigos e familiares.

Lembro-me dum artigo em que me corrigiche as gralhas em que me perguntava se existe a presunçom de inocência. No Reino de Espanha onde nascem novas figuras jurídicas como a desimputaçom para gente de ordem que se lucrárom mediante entidades filantrópicas, em que gente processada por estafar quantidades ingentes de quartos pode ir esquiar fora do Estado com absoluta liberdade, e em que o presidentinho nom sabe exactamente onde está a neve. Eles sempre serám inocentes. E senom, serám indultados.

Porque nom nos resta mais remédio que levantar a bandeira da liberdade perante a injustiça. Para que a língua e a memória histórica tenha vida e presença em Ordes. Para poder ler as tuas palavras no Novas da Galiza e no Galizalivre. Para poder-te abraçar depois de tanto tempo, e discutir sobre as urgências do presente, como nom pode ser doutra maneira entre nós. Porque o que digam os néscios propagandistas da longa noite do capital nos seus jornais e o que ponha um papel de qualquer tribunal nunca poderam justificar que estejas a quilómetros de Loureda, que exista um juízo paralelo criado por esses mesmos nescios onde já es culpável, onde a voz e o sofrimento do teu entorno nom está presente.

Eu prefiro reencontrar-me contigo em Sam Pedro, essa rúa em que vivemos tantos momentos bons. Umha aperta imensa, amigo.

Pepe Árias. Activista social e cultural, militante do Movemento pola Base e membro da Coordenadora Local de Anova-Compostela

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