O tojolabal de Loureda

marcosabaldeUmha das últimas vezes que coincidim com o Carlos foi na Biblioteca Ângelo Casal de Compostela. Essa tarde havia umha mesa redonda onde intervinham Borxa Colmenero, José Ángel Brandariz, Sandra Garrido, Miguel Fernández e Rui Pereira. Daquele ato surgiu um livro “Por uma democracia radical. Vozes subalternas contra o Estado de exceção”. O Carlos leu-no e sabe que a legislaçom de exceçom que sofre nas suas próprias carnes deita as suas raízes em Carl Schmitt, o arquitecto do modelo jurídico do III Reich. O dia 7 de junho de 2013, às portas do Marineda City, umha pessoa é brutalmente agredida pola polícia local da Corunha. O seu delito: Vender rebuçados. O seu lugar de nascimento: Nigéria. Demissons: Cero. Expulsons do corpo de polícias: Cero. O racismo vestido de uniforme e amparado pola legislaçom vigente. Tanto no caso do dissidente político como no do trabalhador migrante pune-se ou agrava-se a pena polo que o sujeito é, nom polo que o sujeito fijo. Em “A resistível ascensão de Arturo Ui”, Brecht adverte que ainda é fértil o ventre onde o monstro foi gerado. Confirmamo-lo dia após dia: Com Espanha todas estamos em perigo.

A força dos artigos do Carlos lembram-me a Kropotkin. Segundo narra nas suas memórias, depois de dous anos de prisom preventiva e doente de escorbuto, ainda tinha vontade de contar a história da Comuna de Paris ao presso da cela do lado. Kropotkin passou umha semana dando pequenos golpes na parede para lha contar de princípio a fim. Essa era a única forma que tinham para se comunicarem. O Carlos fai umha cousa semelhante. Vai petando contra o muro do silêncio mediático para nos explicar que ainda é possível a esperança. O tojolabal é a sua língua materna. Ele há querer negá-lo, mas tem uns decalques evidentes. Polo menos para qualquer pessoa que conheça a estrutura desta língua maia. Por exemplo, o que em galego dizemos “Eu dixem-che”, em tojolabal é “Eu dixem, tu escuitache”. A sintaxe do tojolabal exprime umha relaçom de complementariedade e responsabilidade entre os sujeitos, nom umha relaçom vertical e unidireccional sujeito-objecto como nas línguas indo-europeias. Esta cosmovisom fica plasmada no princípio fundamental do zapatismo: “Mandar obedecendo”. Embora tente ocultá-lo, Carlos Calvo pensa em tojolabal e traduze-se ao galego para nos fazer sonhar com umha nova Comuna de Paris onde nengumha pessoa fique excluída, nem nengumha geraçom passada ou por vir, nem nengum rio, nem montanha; umha futura República onde todas as formas de vida fagam parte do Nós.

José Luis Méndez, depois de quebrar Caixa Galicia, reformou-se com umha indemnizaçom de  16,5 milhons de euros. Para recapitalizar a caixa, umha das ideias mais brilhantes deste psicopata foi estafar milhares de famílias de classe trabalhadora. Carlos Calvo nom precisa ser reinsertado, José Luis Mendez sim. Todas sabemos quem goza da mais obscena das impunidades. Em 2012, o número de milionários no Reino de Espanha aumentou um 5,4%. Atualmente som 144.600 indivíduos com mais de um milhom de dólares. Ao mesmo tempo, o orçamento destinado para material de polícia de choque multiplicou-se por dezoito. Quem dixo crise?

Cada dia está mais claro quem som os responsáveis de administrar o terror. Que perguntem às vítimas das preferentes! Que perguntem às maes que tenhem de mandar as suas crianças à escola sem almorçar! Que perguntem à plataforma Stop despejos! Que perguntem à plataforma em defesa da saúde pública! Que perguntem à plataforma em defesa do ensino público! Que perguntem à plataforma contra a megamineraçom! Que perguntem a Queremos galego! Que perguntem às organizaçons feministas! Que perguntem às gadeiras! Que perguntem em Astano! Que perguntem em Barreras! Que perguntem em Bazán! Que perguntem, porque o único que sentirám vai ser um grito imenso disposto a tomar o céu por assalto: LUME! LUME! LUME!

Marcos Abalde Covelo. Dramaturgo 

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