Carlos visita a Antom I

Nunha cela da prisión

SKURATOV (director do departamento de policía.)

Ola. Non me coñece? Eu si o coñezo. (Rise.) Xa é vostede célebre, eh? (Mírao.) podo presentarme? (KALIAYEV non di nada.) Non di nada? Entendo. A incomunicación, eh? É duro, oito días incomunicado. Hoxe suprimimos a incomunicación e terá vostede visitas. Ademais estou aquí para iso. Xa lle enviei a FOKA. Extraordinario, verdade? Pensei que lle interesaría. Está vostede contento? É bo ver caras despois de oito días, non?

Os justos. Albert Camus

ismaelsaboridoOlá Carlos!

Bota-se-che muito de menos. Hai unhas semanas foi a entrega do prémio Roberto Vidal Bolanho para o blogue De volta para Loureda, e puidem comprovar que todas as que estavamos alí che botavam em falta. Mais que a entrega dum prémio, semelhava um acto de protesta, o protocolo desaparezeu e todas as pessoas que subirom falar, o fizerom cheias de carragem, mas também cheias de empatia e de solidariedade, começando por Charo: “esta celebraçom, para além de ser umha trincheira de resistência da cultura nacional, é um exercício de justiza”. Precisamente há umhas semanas, falando con ela sobre o blogue, comentou-me que se me apetecia, podia escrever algúm artigo, e ainda que nom se me dá muito bem isso de escrever, accedim. Nom tinha muita idea sobre que falar, porque já está todo dito, mas quadrou-lhe que na última visita que figem para ver a Antom, fum com Xiana, quem também tinha pensado escrever no blogue, assim que durante o caminho fomos falando-o e finalmente decidimos que publicariamos as cartas que cada un de nós che mandasse. Mira ti, que parvada.

Sabes que non a conhecia?, assim que a viagem, ademais de para visitar a Antom, valeu para coñecérmo-nos. Conduziu ela todo o trajecto porque seica deste jeito se lhe fai mais levadeiro. Durante a viagem, tivemos un par de pequenos contra-tempos. O primeiro, e vas rir, foi que ao pouco de saír já nos perdemos em Alhariz. Mira que é bem difícil perder-se em Alhariz, pois tivemos que parar a preguntar-lhe a umha mulher que atopamos. O segundo foi já chegando à cadeia, resulta que estavamos tan entretidos a falar que nengum dos dous nos demos conta que já alumeava o piloto do depósito e quase ficamos tirados. Tivemos que dar volta em busca dumha bomba de gasolina, e quando estavamos às voltas por Aranjuez, démo-nos conta dun detalhe: Ti tes visto algumha vez um polígono industrial en construçom? Explanadas de terra sem vegetaçom con moreias de escombros, pois assim é Aranjuez, mas resulta que lá nom há nengum polígono em construçom, é assim sempre. Cousa cativa. Faziamos brincadeiras sobre isto, e que houbera essa paisagem tam miserável, no seu sentido mais literal, sentiámo-lo como umha vitória moral: nós ainda nom conseguimos a independência, mas vaia merda de país que tenhem.

Aparte desses dous pequenos contra-tempos, a viagem foi tranquila. De caminho, entre conto e conto, reparaba na paisagem, do jeito em que esta pasava, deixando cada vez mais longe o meu mundo, todo o que me é familiar, vendo como forçosamente se sucediam os quilómetros. Lembrava umha história, certa ou nom, que me tinham contado na casa. Umha vizinha da aldeia, já anciá, o dia que por primeira vez tinha que fazer umha viagem, por necessidade, claro, porque tinha que ir ao hospital a Compostela, ao passar à altura de Padrom, soltou: “Ai minha filha, que ghrande vos é o mundo”. E dalgum xeito tinha razom, viajar por terra, ao contrário de faze-lo em aviom, fai-che consciente da distáncia, fai possível apalpar a dispersom, percever em toda a sua solidez o arredamento ao que sodes sometidos. Reparava no feito de ter que fazer mais de mil quilómetros para estar tam só corenta minutos com um irmao. Erguer-te ainda de noite para chegar com tempo à visita e nom estar de volta na casa até a noite seguinte. Todo o dia no carro, parando um par de vezes só para botar gasolina e comer algo. Pero era un pequeno sacrifício que pagava a pena para estar co Antom.

Nas viagens de ida, sempre levo um nó no estómago, e na garganta outro, sobre todo quando já falta pouco para entrar. Tenho medo, medo a chegar à cadeia e velo, porque non sei como estará. Tenho medo a que apareça em aquel aséptico locutório de cristal e ve-lo sofrer. Porque a cadeia, e especialmente a dispersom, está feita para que o preso sufra, para castiga-lo, para tortura-lo. Quando escuito falar de reinserçom, nom podo mais que chamar-lhe parvo a quem fala neses termos, porque há que o ser para ainda acreditar en las bondades del sistema penitenciario. Isolar umha pessoa para que se reinserte na sociedade? Cumpre ser mui parvo, foder! Quando falam de reinserçom, imagino que falam de rendiçom, senom nom se explica.

O que che contava, antes de entrar sempre tenho medo, mas nada mais ve-lo vir polo corredor dos locutórios, torna-se alegría. Sempre ven a surrir. O medo desaparece. Senta e falamos. Preguntámos-lhe como é a sua vida dentro, que é o que fai para se distraer. Sorprénde-me que nos diga que nom tem um minuto livre. Que se lhe vai o día entre estudar, ler, desenhar, contestar às cartas e fazer exercício nas poucas horas que pode saír ao pátio. Mas el, está interessado no que passa fora, nom para de fazer perguntas sobre o que passa em Compostela, sobre os amigos que temos em comúm, sobre os ánimos da gente,… já sabes como é. De repente, cortam o som aos altofalantes e temos que rematar falando a berros. Sempre ficam muitas cousas por dizer, corenta minutos nom dam para nada. Despedímo-nos. Doi deixa-lo alí.

À volta, venho mais animado, cansado, mas com força, muita força. Antom é forte. Ver que nem o pior dos castigos o dobrega, que nem sequer essas formas de tortura que chamam dispersom e isolamento lhe arrincam o sorriso, que a pesar da distáncia, mantém essa actitude tam possitiva, contagia-me. Parece mentira que seja ele, estando preso, quem me contagie a mim de optimismo, quando eu já som optimista normalmente.

Está visto que puiderom secuestrar-vos, que poderám reter-vos o tempo que desejem, mas nunca vos poderám julgar. Estades por cima das suas leis.

Saúde e Terra, Carlos.

Ismael Saborido. 

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