Se a infancia nom fosse um cárcere

olalhabarroTenho que compor um artigo neste magnífico blogue e custa-me nom escrever com o fígado, que é o que me doi ao sentir as injustiças. Sempre que penso nalgumha companheira sequestrada sinto um sofrimento mui intenso. O meu corpo, meje-se, protesta, revolve-se e, sobre tudo, resiste-se. Depois de tantos anos neste estado de excepçom, há algo em mim que se nega a aceitar esta realidade.

O outro dia vim umha imagem que me deu arrepios. Umhas avoas iam com as suas netas dando um passeio, duas gemeas, teriam perto de dous anos e as meninas iam … atadas com correas!! Cada vez que se moviam as avoas davam um tirom forte e diziam “NO!”. A imagem nom deixava indiferente a ninguém, penso que tenho visto cadelas com melhor trato que estas duas meninas. Fiquei em shock.

Quando cheguei a casa, puxem em google “correas para nenos” e aparecerom muitas entradas falando deste “arnés para paseo” (sic!). O seu uso cada vez é mais geraliçado e, como sempre, fai-se pola bem e segurança da menina (sic!).

Nom podo quitar-me esta imagem da boca do estómago. Assim se reproduz a violência sistémica. Essas meninas esperam TODO das suas coidadoras, sobre todo, contacto, acompanhamento e afecto. Em lugar disso, atopam uns carcereiros. Mas nom som as únicas, por desgraça, muitas meninas nascem e medram assim, atadas. A sua sorte depende da autoridade arbitrária, duns carcereiros.

Eles decidem-no todo: que, quando e quanto comem, quando e quanto dormem, que, quando e como sentem, onde entram e saem, com quem falam, qual é o seu circuito de passeio, quando e como voltam para a cela, etc.

Arbitrária porque as meninas nunca sabem como, quando, onde e por que. Todo depende do humor e o antolho dos seus carceeiros. Nunca há explicaçons e, se as há, som igual de arbitrárias.

Como a cadea, este processo represor legitima-se pola “re-inserçom social”, é dizer, “polo seu bem”.

Como serám essas meninas no futuro? Sentirám que os seres humanos som umha ameaça, que nom podem confiar em ninguém, que o mundo é hostil e que más val que existam cadeas para reprimir e conter porque as pessoas dan medo. A vida nom é umha linha recta e pode que se liverem do trauma de medrarem numha cadea. Mas vam te-lo mui difícil.

Umha das muitas cousas que sinte umha pessoa quando sae da cadea é a vertigem.

Depois de tanto tempo, atopar espaços mui amplos, abrumadoras multitudes, o desconcerto por um horário nom marcado, etc; pode resultar mui duro.

Esta sensaçom de vertigem ilustra mui bem o que nos acontece às adultas depois de tantos anos de cativerio. Muitas prefirem voltar ao seu espaço de confort, sem perguntas, intramuros, porque ao sairem de ai, sentem vertigem.

Quando criamos construimos futuro. Mas é umha tarefa difícil, por isso precisamos tribo.

Umha tribo formada por pessoas generosas, que practiquem a sororidade, que os seus braços sejam um mundo melhor.

Carlos é dessas pessoas. A pesar de estar entre muros, nom conseguim te-lo preso. As suas palavras chegam-nos como ar fresco neste presente insufrível, descongestiona as arterias.

É dessas pessoas generosas e honestas que fam parte da nossa tribo de maternagem e a nossa tribo chama por ele, quere-o de volta para a casa!

Olalha Barro, amiga de Carlos.

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