Fim ou princípio?

David Brooks

Umha bicicleta passa a toda velocidade por Broadway com umha enorme bandeira na que se lê: “Arrepende-te. Regressa a Jesus”. Um monge tibetano presenteia cartazinhos que oferecem um caminho para superar todo o negativo. Um grupo de boas intençons trata de falar com os peons sobre os perigos mortais dos combustíveis fósseis outro pede contribuiçons para crianças no mundo que nom tenhem para comer, outro mais para resgatar da extinçom mais animais. As noticias nutrem o pessimismo e o temor (mas os anúncios invitam cada vez mais a pam e circo). Todo parece indicar que estamos perto da fim do mundo.

A disfuncionalidade espectacular de Washington nestas últimas semanas comprovou que nom tem nem ideia de como resolver os problemas de fundo que padece. Pior ainda é que o acordo político nom foi para gerar emprego, elevar salários, investir mais em educaçom e infraestrutura ou abordar a mudança climática, senom para analisar como reduzir ainda mais o gesto social para controlar o déficit e a dúvida.

Alguns afirmam que estes som sintomas do fim do império estado-unidense. Chris Hedges, jornalista prémio Pulitzer, correspondente de guerra para os grandes meios e agora crítico furioso dumha cúpula política e económica dedicada a empiorar a vida das maiorias, escreve no seu artigo en Truthdig que “os últimos dias de império som carnavais de loucura. Estamos no meio do nosso, caindo cara adiante enquanto os nossos líderes invitam à autodestruiçom económica e ambiental. Suméria e Roma caírom assim, como também os impérios otomano e austro-húngaro. Homens e mulheres de mediocridade assombrosa encabeçavam as monarquias de Europa e Russia em vésperas da Primeira Guerra Mundial. E Estados Unidos agora, no seu próprio declive, oferta o seu elenco de débeis, parvos e retardados para guiá-lo à destruiçom… Se tivéssemos algumha ideia do que em verdade nos está a passar… teriamo-nos amotinado”. Adverte que “o nosso colapso arrastará todo o planeta”.

Mas talvez é a fim só desse mundo. Se um evita esse torrente de notícias de tragédias e horrores, de repente assomam outras cousas. Algumhas som quotidianas: Mestres que educam o próximo Martin Luther King ou Albert Einstein, ou os poetas da próxima geraçom, apesar das reformas que tenhem o propósito de esmagar a dignidade, a imaginaçom, a beleza e quase todo o nobre.

Também há, todos os dias, música subterrânea que rompe com a sua beleza o cinzento do que nos prometem os peritos sobre a fim do mundo. Aparece de súpeto um reggae tocado por um grupo que durante o dia trabalha em construçom; tambores árabes ou africanos em parques que invitam com os seus ritmos antigos a festejar o agora, e de aí o amanhá.

Há iniciativas para juntar pessoas para contarem-se contos, guardar a memoria colectiva, trocar experiências, defender-se e conspirar em criar um outro futuro. Isso ocorre nos campos de Florida com a Coligaçom de Trabalhadores de Immokalee, nos sótâos de igrejas em Sunset Park, Brooklyn, em centros de cultura e educaçom popular nas montanhas de Tennessee (o Highlander Center), como através do hip-hop radical nas ruas deste país.

Há múltiplas luitas e acçons em contra do fim do mundo por todo o país, desde as recentes acçons directas de imigrantes e os seus aliados em Arizona e San Francisco para deter deportaçons como as de jovens indocumentados que desafiam as autoridades de migraçom berrando “indocumentado e sem temor”. Também há iniciativas locais contra a violência entre jovens nas ruas de Chicago, ou esforços sociais por recuperar morada para os que perderam as suas casas na crise.

À vez, há um fenómeno de longo prazo para construir bases económicas que procuram evadir o modelo económico baixo controlo de Wall Street.

Hoje, 130 milhons de estado-unidenses som membros de cooperativas de consumo, produçom e crédito, e mais de 10 milhons participam dalgumha maneira em empresas propriedade dos trabalhadores. Também há milheiros de “empresas sociais” manejadas de forma democrática para ganhar dinheiro e cumprir com um propósito social mais amplo de renovaçom comunitária, desenvolvimento sustentável e redistribuiçom da riqueza. E há iniciativas que estabelecem redes de produçom e consumo, e também de apoio mútuo.

Talvez outro mundo nom só é possível, senom que já se está a construir.

(Publicado originalmente em Zazpika Gararen aldi zahia, nº 770, 27 de outubro de 2013. Traduzido para o galego/português)

bol

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