Soberanismos sustentáveis

Carlos C. Varela

sencor161. Nas montanhas de Qandil o jornalista Leandro Albani entrevista o comandante Harum, militante do PKK. Este explica-lhe como em 1998 o movimento de libertaçom nacional mais importante do mundo virou do marxismo-leninismo para umha estratégia de democratizaçom radical inspirada em doutrinas libertárias como as de Murray Bookchin. “Temos diferenças –explica Harun- com os partidos nacionalistas curdos porque eles procuram a soluçom criando um Estado-Naçom e nós propomos a vida comunal”. No Sexto Congresso do PKK “tínhamos duas soluçons: guardar a nossa ideologia clássica e deixar o socialismo, ou transformar o socialismo no socialismo comunitário. Escolhemos a segunda ideologia e chamamos-lhe confederalismo democrático. Graças a esta transformaçom ganhamos mais força porque demos umha resposta às necessidades dos povos. Por exemplo, a unidade destas comunidades tem a sua própria autodefesa, diplomacia, a sua economia soberana e autosuficiente, a sua própria autoadministraçom e instituiçons culturais. É umha sociedade mais forte e organizada, estamos a comprovar que sem Estado e com a nossa própria força autónoma podemos criar dinâmicas mais democráticas. Sobre estes princípios a sociedade pode existir e desenvolver-se. Estamos mostrando ao mundo que sem tomar o controlo do Estado podemos fazer todo isso”.

2. Georgia Bekridaki é activista da rede “Solidariedade para todos”, a resposta colectiva perante o desmantelamento de Grécia e o salve-se quem poda”. Som já mais de 270 grupos de solidariedade social autogeridos, que funcionam de jeito assemblear. “Nom é caridade –aclara Bekridaki- senom solidariedade com compromisso. Som pessoas que se ajudam e se comprometem contra a injustiça e som conscientes de quem som os culpáveis desta situaçom. O lema é auto-organizaçom, solidariedade e resistência”. Ideias que se materializam na “criaçom de armazéns de medicamentos (…); comedores sociais e distribuiçom semanal de alimentos; mercados de troco (…); bancos de tempos (…); assessoramento jurídico para afrontar os empréstimos de bancos; cursinhos educativos nos que se forma numha cultura alternativa e em favor da saúde… qualquer cousa que poda ajudar os demais”.

3. O jornalista uruguaio Raúl Zibechi bem de passar umhas semanas na “escuelita zapatista” em Chiapas, onde comprovou sobre o terreno o crescimento e maduraçom do tecido social autónomo que cultiva o zapatismo. Nom assistiu a grandes conferências, mais bem aprendeu fazendo, compartindo os trabalhos de umha família campesina. O EZLN arrincou-lhes a terra aos ladrons latifundistas e estabeleceu nelas comunidades autónomas. Combinam –como na Galiza tradicional- a terra em mao comum e a pequena propriedade familiar. Terra “para poder trabalhá-la em individual ou colectivo, mas sempre cuidando que o benefício dum nom seja polo prejuízo aos outros”. Educa-se para evitar os monocultivos, diversificar cultivos e garantir a soberania alimentar. Com a venda de excedentes e produtos comerciais como o café obtenhem dinheiro para mercar o que precisam; mas nom o devolvem ao circuito capitalista, senom que compram nas tendas zapatistas. No serviço comunitário de saúde incidem na prevençom, e para as doenças comuns tenhem mui em conta a sabedoria tradicional conservada polas mulheres. Os trabalhadores do seu sistema educativo nom cobram: a vizinhança ocupa-se das suas terras e animais para que nom lhes falte a mantença. E nestes espaços autogeridos medra a democracia, nas Juntas do Bom Governo, autênticas escolas do bem comum nas que as pessoas se vam rotando. Porque a política é algo demasiado importante como para deixá-lo em maos dos políticos.

***

Apenas três exemplos, bem diferentes entre si, de soberanismos sustentáveis: construçons mancomunadas de Vida, à margem e contra o Capital. Em comum, umha democracia radical cultivada no bem comum, e que começa no primeiro chanço da cadeia alimentar da sociedade. Tecidos autónomos, para umha reproduçom social em valores opostos aos do Capital, e que nom dependem das marejadas eufórico-depressivas dos ciclos eleitorais.

Na Galiza também há em marcha duzias de experimentos sociais nestas coordenadas. Ainda que de momento estám dispersos, ham crescer. Por necessidade ou convicçom, agora que a luta pola vida e a luta pola vida digna som já a mesma. Porque nom se pode conseguir a liberdade sem começar já a viver livremente; e para isso necessitamos bases materiais: maos e Terra.

7/11/13

Artigo publicado en Praza

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