Quem toca a concelho

joamToda paróquia precisa de quem repique os sinos. Convocar a vizinhança quando há morta ou morto, quando há festa, quando há lume, quando há roga ou ajuda, quando há concelho, exige disciplina, atenção e sensibilidade. Durante alguns dos episódios mais escuros do agrarismo, como o de Sobredo, as badaladas chamaram à defesa coletiva da comunidade, acrescentando-se as bombas de palenque para ir além da paróquia e mobilizar as solidariedades da velha treba.

Na (i)lógica do pensamento repressor, uma estratégia recorrente na secular luita por desmobilizar o povo é a de prender o sineiro. E, assim, quando o Carlos tocou a concelho para convocar a mancomunidade das boas e generosas, houve quem pensou que sem sineiro esmoreceria a assembleia. Não foi assim. Mesmo que não se colocasse o remate no pico no palheiro por faltar entre as chamadas à roga os apeiros certos e a experiência precisa, dos restos da malha agromaram as sementes que todas e cada uma de nós levamos para a casa.

Levaram o Carlos para a Terra Ancha achando que prenderam o sineiro mas descobriram que na aldeia, na paróquia, na comarca e no País surgiram centos de braços repicando a toque de concelho num brado ensurdecedor. Achavam que levaram o campaneiro, mas polos velhos caminhos a Castela, dos que quase ninguém lembra, enveredou um segador. Um segador dos que sempre voltam na hora de empenar o concelho novo.

Joám Evans Pim, membro do Partido da Terra de Vila Cova e da Associação Véspera de Nada por uma Galiza sem petróleo

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