Julio Cortázar: Fragmentos para uma ode aos deuses do século

ilustracion-oda-aos-deuses-do-seculo-BY-polo-1024x1379“(…) O culto dos deuses maiores é público, fedorento e estrepitoso, apresenta-se como Positivo, como Festa, como Liberdade. Um dia sem deuses maiores é a paralisia de uma nação de homens; uma semana sem deuses é a morte de uma nação de homens. Os deuses maiores são os mais recentes, ainda não se sabe se ficarão ou abandonarão os seus adoradores. À diferença de Buda ou Cristo são um problema, uma incertidão; convén adorá-los afebradamente, pôr um tigre no motor, pedir a máxima quantidade, encher os tanques com o seu frio, desdenhoso orgasmo: olhar continua a ser grátis até nova orden, mas também não é certeza. Os teólogos consultam-se. Onde reside o sentido oculto dos textos sagrados Ponha um tigre no seu motor: Apocalipse iminente? Abadonarão-nos um dia os deuses maiores”.


Tradução do Carlos para a ‘Revista para uma nova civilização, 15-15-15’ de um poema de Lonstein, uma das personagens do ‘Libro de Manuel’ (1973) de Julio Cortázar.

Ilustração: polo

Advertisements

Aclaración sobre quién es Carlos Calvo y su posición (II)

Benet Salellas i Vilar, abogado, 12 de marzo del 2015

En el mes de diciembre pasado hice público un comunicado de urgencia con este mismo título para salir al paso de la difusión en aquel entonces de un correo electrónico con acceso a una web autodenominada A Fouce – Voz da Resistencia Galega. Ese texto no fue consensuado con Carlos Calvo por razones obvias dado que había que desmentir inminentemente la relación que indirectamente ese canal establecía entre Carlos Calvo y la autodenominada Resistencia Galega (Rega) y sin embargo no había tiempo suficiente como para ir a visitar a Carlos en Topas. Ese texto, escrito con la indignación que produce la falsedad evidente de vincular a Carlos con Rega y de hacerlo precisamente desde Rega (o de quien le suplantara) durante los días que el Tribunal Supremo deliberaba sobre el recurso de la condena de Carlos en su primer juicio, nos provocó a mi y a la familia de Carlos un desasosiego e inquietud que nos hizo exceder en el objetivo inicialmente marcado para el comunicado.

Convencidos de la necesidad de aclarar ambigüedades y confusiones que pueden haber existido durante estos años –y de ahí el título del texto- aprovechamos para pedir la retirada de la fotografía de Carlos de algunas web que, legítimamente, han afrontado de forma distinta esta durísima amalgama de represión, estrategia antirepresiva, defensa de los presos y comunicados de Rega (o de quien le suplante). El uso de la palabra manipulación atribuida a Ceivar y Que voltem a casa no fue acertada. En este sentido y como prueba que Ceivar está convencida que de sus acciones o material no se puede inferir nunca que se insinúe la vinculación de Carlos Calvo con Rega, adjunto a este comunicado el texto que en fecha 11 de marzo he recibido de la Mesa Nacional de Ceivar: carta_pedido_rectificaçom_20150311 En el punto 4, deja clara esta cuestión y por lo tanto rectifico.

He actuado en este tema no como militante sino como abogado de Carlos intentado rehuir en todo momento un discurso ambivalente sobre la acusación ejercida contra él, para mí esto era importante. Porqué él me lo pidió y porqué además Carlos nunca tuvo que ver con Rega. También me pidió que le defendiera dignamente, como dice él, sin ser víctima ni tampoco héroe. Es un honor para mí defender una persona como Carlos Calvo por su entereza y su alto valor intelectual, humano y político. Cada día intento estar a su altura, que no es fácil, y hacerlo lo mejor posible, aunque a veces pueda cometer errores como el que he mencionado y que he explicado.

Pero no despistemos, Carlos es quien tiene la palabra y quien debe tener el protagonismo en este tema. Él es el único que puede fijar la posición política de su campaña, por ello Carlos ha escrito una carta desde Estremera sobre esta Aclaración con la voluntad que sirva para corregir los matices de mi texto y para generar el debate necesario al respecto, carta que transcribo a continuación:

ALGUMHAS ACLARAÇONS NECESSÁRIAS
A estratégia da construçom jurídico-policial dumha “organizaçom terrorista” galega, isto é: do comodim legal que permite ao Estado punir gravemente qualquer desobediência (eis figuras como a de “pertença”, “colaboraçom” ou “enaltecimento”), recorda muito à implementada em Itália na década de 90. Na altura a polícia italiana começou por deter várias pessoas vinculadas ao anarquismo, para depois conseguir um “arrependido” que, a modo de chave de abóbeda que sustentasse o relato policial, reconheceu a existencia dumha organizaçom que coincidia exatamente com o exigido pola lei para tipificá-la como “terrorista” e multiplicar as penas.

Contudo, nom se pode continuar a repetir esta denuncia como se no caso galego nom houvesse umha diferença substancial: entre o poder e algumha instância do independentismo está-se a dar umha paradoxal coincidencia na construçom deste relato, ao elevarem umha série de sabotagens contra mercadorías e propiedades privadas –nunca contra pessoas- ao nível de “terrorismo”/”luita armada”. A lógica política do reconhecimento, advertia Deleuze, pode acabar levando mesmo a que haja quem queira ser julgado, embora só seja para sesr declarado culpável.

Causou-me perplexidade ler na imprensa, após a primeira sentença da Audiência Nacional espanhola sentando a existencia dumha “organizaçom terrorista” na Galiza, um comunicado que pouco menos que dava por boa tal versom. Mais recentemente, apareceu um web que se reclama “voz da resistência galega” e que incluia sem autorizaçom a minha fotografía. Logicamente solicitei a sua retirada, o que, desafortunadamente, deu num comunicado que incluia opinions políticas que nom eram as minhas. Assim as cousas, tenho que fazer as seguintes aclaraçons:

1. Sou independentista, mas nunca militei em nengum partido nem, evidentemente, em nengumha “organizaçom terrorista”. Figem parte de vários projetos dos movimentos sociais, sobretudo dos meios de comunicaçom, com os quais continuo a colaborar. Desde que me encarcerárom, os únicos posicionamentos políticos que realizei fôrom, única e exclusivamente, os que assinei pessoalmente.

2. Até finais de 2012 fum assistido judicialmente por um advogado de Ceivar. Também Esculca tivera a atençom de apresentar um recurso contra a detençom incomunicada. Por falta de confiança rompim com esse advogado, pasando a ser defendido por Benet Salellas. O que esperaba que pudesse ser umha transiçom amigável e cooperativa, aginha se converteu, para Benet e para mim, numha carreira de obstáculos e difamaçons, cujo coralário foi o acontecido no julgamento de maio de 2014. É verdade que Ceivar me oferecera ajuda económica para os gastos no dia a dia em presom, mas rejeitei-na por ser incoerente com os problemas que já estábamos a ter no plano judicial.

Quanto à plataforma Que Voltem para a Casa, agradeço sinceramente a atividade solidária das pessoas em concentraçons, protestos e marchas, embora lamente que nunca tivéssemos comunicaçom.

3. Após a minha detençom fum transladado a Madrid algemado, com umha saca na cabeça e rodeado de polícias que me ameaçavam com deter a minha companheira se nom me mostraba mais “dialogante”. Ao mesmo tempo, havia quem lhe dizia a ela algo assim como que “a moça do preso” nom tem nada que opinar sobre as açons anti-repressivas. Nom é um exemplo pontual, senom o contexto no que foi decorrendo tudo até hoje, a mostra de que Estado e vanguardismo compartem muitas lógicas, como a patriarcal.

Creio, pola contra, que como di Santiago Alba Rico em matéria anti-repressiva, temos muito que aprender das mais e avoas de Maio, quem “demonstrárom aos que despreçam as tarefas domésticas que preparar croquetes e remendar peúgas para os filhos durante anos e anos é também umha boa maneira de treinar-se para combater contra umha ditadura feroz. A ampliaçom do âmbito da sua luita desde as cozinhas dos seus lares e a expansom da sua consciência social e a sua atividade militante (…) confirma o passo natural do cuidado dos corpos ao cuidado do mundo que chamamos política”.

4. Nem “herói” nem “vítima”. Intento passar o cárcere por um caminho digno mas estreito, deixando a ambos os lados as pendentes escorregadizas destes dois papeis simétricos, que tenhem em comum o silêncio dos objetos. Entre a privatizaçom despolitizadora do encerro, ou a sua gestom vertical que nom me dá nem voz nem voto, negó-me a escolher. (Rejeitar o papel de “vítima”, por se houvesse dúvidas, nom significa aceitar esta situaçom essencialmente injusta, ou deixar de denunciar, por exemplo, que no próximo julgamento terei que enfrentar-me com umha descarada montagem policial). Mas para poder seguir por este carreiro fai falta mais comunidade, mais tribo, que o amplie e torne mais transitável.

Na minha opinión, a “Rede de apoio De Volta para Loureda” supujo umha corrente de ar fresco que desbordou os limites das práticas anti-repressivas clássicas –tam centradas na gestom da representaçom-, demonstrando que há muita mais solidariedade com as presas independentistas além do que esses limites deixam ver. Lamentavelmente, a iniciativa parece que foi mais atacada do que imitada, replicada e coletivizada.

5. Escrevo porque me gosta, porque me ajuda a romper a soidade e porque é umha forma eficaz de denuncia. Também porque a teoria e a política som demasiado importantes para deixá-las em maos de teóricos e políticos. Porém, sinto-me mui incómodo com essa personagem, que se quadra eu mesmo alimentei inconscientemente,
do “filósofo preso”. Quando se usa para contrapô-la ao resto de presos pom-se em marcha umha dessas velhas lógicas da divisom que tam bem funcionaram na Galiza: aquí o poder disolve intensidades a golpe de reconvertê-las em distinçom.

Quando gente que me apreça me di que “o cárcere nom é sítio para ti” sei que o dim com a melhor fé, mas nom podo evitar que me invada a amargura. O cárcere nom é sítio para ninguém. Escreve isto num módulo de isolamento, numha arquitetura caníbal, que ela sozinha já matou mais pessoas do que qualquer “organizaçom terrorista” galega. A única postura aceitável “de mínimos”, “de direito”, é a defesa incondicional de todos os direitos de todas as pessoas presas.

Por último, quero recordar que levo mais de dous anos em regime de issolamento, dispersado por até seis prisons a centos de quilómetros da Galiza, e com a proibiçom de participar mesmo nas atividades culturais e desportivas programadas para presos de 1º grau. Ainda, até em duas ocasions pretendeu a polícia entrar a chantajear-me em prisom. Mas jamais me sentim só nem longe da Terra graças a vós. Recebede toda a minha gratitude.

Carlos Calvo Varela. Estremera, 30 de janeiro de 2015.

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

ALGUNAS ACLARACIONES NECESARIAS

La estrategia de la construcción jurídico-policial de una “organización terrorista” gallega, esto es: del comodín legal que permite al Estado punir gravemente cualquier desobediencia (é aquí figuras como la de “pertenencia”, “colaboración” o “enaltecimiento”), recuerda mucho a la implementada en Italia en la década de los 90. En esa altura, la policía italiana comenzó a detener a varias personas vinculadas al anarquismo, para después conseguir un “arrepentido” que a modo de llave de bóveda sustentase el relato policial, reconoció  la existencia de una organización que coincidía exactamente con lo exigido por la ley para tipificarla como “terrorista” y multiplicar las penas.

Con todo, no se puede continuar a repetir esta denuncia como si en el caso gallego no hubiese una diferencia substancial: entre el poder y alguna instancia del independentismo se está produciendo una paradoxal coincidencia en la construcción de este relato, al elevar una serie de sabotajes contra mercancía y propiedades privadas –nunca contra personas- al nivel de “terrorismo”/”lucha armada”. La lógica política del reconocimiento, advertía Deleuze, puede acabar llevando mismo a que haya quien quiera ser juzgado, aunque solo sea para ser declarado culpable.

Me causó perplejidad leer en la prensa, después de la primera sentencia de la Audiencia Nacional española sentando la existencia de una “organización terrorista” en Galicia, un comunicado que poco menos que daba por buena tal versión. Más recientemente, apareció una web que se reclama “voz de la resistência gallega” y que incluía sin autorización mi fotografía. Lógicamente solicité su retirada, lo que, desafortunadamente, derivó en un comunicado que incluía opiniones políticas que no eran las mías. En este contexto, tengo que hacer las siguientes aclaraciones:

1. Soy independentista, pero nunca milité en ningún partido ni, evidentemente, en ninguna “organización terrorista”. Formé parte de varios proyectos de los movimientos sociales, sobretodo de los medios de comunicación, con los cuales continuo colaborando. Desde que me encarcelaron, los únicos posicionamientos políticos que realicé fueron, única y exclusivamente, los que firmé personalmente.

2. Hasta finales del 2012 fui asistido judicialmente por un abogado de Ceivar. También Esculca tuviera la atención de presentar un recurso contra la detención incomunicada. Por falta de confianza rompí con ese abogado, pasando a ser defendido por Benet Salellas. Lo que esperaba que pudiese ser una transición amigable y cooperativa, pronto se convirtió, para Benet y para mi, en una carrera de obstáculos y difamaciones, cuyo coralario fue lo que pasó en el juicio de mayo de 2014. Es verdad que Ceivar me ofreciera ayuda económica para los gastos en el día a día en prisión, pero la rechacé por ser incoherente con los problemas que ya estábamos teniendo en el plano judicial.

En quanto a la plataforma Que Voltem para a Casa, agradezco sinceramente la actividad solidaria de las personas en concentraciones, protestas y marchas, al  mismo tiempo que lamento que nunca tuviésemos comunicación.

3. Después de mi detención fui trasladado a Madrid esposado, con un saco en la cabeza y rodeado de policías que me amenazaban con detener a mi compañera si no me mostraba más “dialogante”. Al mismo tiempo, había quien le decía a ella algo así como que “la novia del preso” no tiene nada que opinar sobre las acciones anti-represivas. No es un ejemplo puntual, sino el contexto en el que fue sucediendo todo hasta hoy, la muestra de que Estado y vanguardismo comparten muchas lógicas, como la patriarcal.

Creo, por el contrario, que como dice Santiago Alba Rico en materia anti-represiva, tenemos mucho que aprender de las madres y abuelas de Mayo, que “demostraron a los que desprecian las tareas domésticas que preparar croquetas y remendar medias para los hijos durante años y años es también una buena forma de entrenarse para combatir contra una dictadura feroz. La ampliación del ámbito de su lucha desde las cocinas de sus lares y la expansión de su consciencia social y su actividad militante (…) confirma el paso natural del cuidado de los cuerpos al cuidado del mundo que llamamos política”.

4. Ni “héroe” ni “víctima”. Intento pasar la cárcel por un camino digno y estrecho, dejando a ambos lados las pendientes escurridizas de estos dos papeles simétricos, que tienen en común el silencio de los objetos. Entre la privatización despolitizadora del encierro, o su gestión vertical que no me da ni voz ni voto, me niego a escoger. (Rechazar el papel de “víctima”, por si hubiese dudas, no significa aceptar esta situación esencialmente injusta, o dejar de denunciar, por ejemplo, que en el próximo juicio me tendré que enfrentar con un descarado montaje policial). Pero para poder seguir por este carrero hace falta más comunidad, más tribu, que lo amplíe y vuelva más transitable.

En  mi opinión, la “Rede de apoio De Volta para Loureda” supuso una corriente de aire fresco que desbordó los límites de las prácticas anti-represivas clásicas –tan centradas en la gestión de la representación-, demostrando que hay mucha  más solidaridad con las presas independentistas más allá de los que esos límites dejan ver. Lamentablemente, la iniciativa parece que fue más atacada de lo que imitada, replicada y colectivizada.

5. Escribo porque me gusta, porque me ayuda a romper la soledad y porque es una forma eficaz de denuncia. También porque la teoría y la política son demasiado importantes para dejarlas en manos de teóricos y políticos. Sin embargo, me siento muy incómodo con ese personaje, que quizás yo mismo alimenté inconscientemente, del “filósofo preso”. Cuando se usa para contraponerlo al resto de presos se pone en marcha una de esas viejas lógicas de la división que tan bien funcionaran en Galicia: aquí el poder disuelve intensidades a golpe de reconvertirlas en distinción.

Cuando gente que me aprecia me dice que “la cárcel no es sitio para ti” sé que lo dicen con  la  mejor intención, pero no puedo evitar que me invada la amargura. La cárcel no es sitio para nadie. Escribo esto en un módulo de aislamiento, en una arquitectura caníbal, que ella sola ya mató a más personas que cualquier “organización terrorista” gallega. La única postura aceptable “de mínimos”, “de derecho”, es la defensa incondicional de todos los derechos de todas las personas presas.

Por último, quiero recordar que llevo más de dos años en régimen de aislamiento, dispersado por hasta seis prisiones a cientos de quilómetros de Galicia, y con la prohibición de participar incluso en las actividades culturales y deportivas programadas para presos de primer grado. Además, hasta en dos ocasiones pretendió la policía entrar a chantajearme en la prisión. Pero jamás me sentí solo ni lejos de la Tierra gracias a vosotros. Recibid todo mi gratitud.

Carlos Calvo Varela. Estremera, 30 de enero de 2015.