Ónde encontrar a exposición 25/2015

De forma simultánea nestes once locais, e durante todo o mes de setembro, poderedes ver unha mostra de boa parte dos debuxos realizados por Carlos C. Varela durante estes últimos case tres anos que leva en prisión.
Non deixes de visitalos!

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Carlos está desde hoxe na prisión de Villabona (Asturias)

escreveCarlos foi trasladado de prisión. A partir de hoxe está no cárcere de Villabona, en Asturias. Pedimos por favor a toda a xente que lle escribe que o faga ao seu novo enderezo:

Carlos Calvo Varela

Centro Penitenciario Villabona

Finca Tabladiello

33422 Villabona-Llanera (Asturias)

De Loureda a Villabona hai 274 quilómetros, 3 horas de viaxe ida, tres horas de viaxe volta. Segue sendo moitísimo, aínda que certo é que desde que o prenderon nunca estivo tan preto da casa. Nestes dous anos e case dez meses que leva privado de liberdade, Carlos pasou xa temporadas, algunhas máis longas que outras, nos penais de Soto del Real, Aranjuez, Valdemoro, Navalcarnero, Topas e Estremera. Agora toca nova etapa na asturiana de Villabona. Tanto Carlos como o seu avogado reclamaron por todas as vías o seu traslado a Galiza. Despois de clasificalo e valoralo, Institucións Penitenciarias decidiu que polo momento o seu lugar de destino non será unha prisión galega, senón a de Villabona. Carlos chegou ben alí, hoxe mesmo, despois de saír o pasado luns da prisión de Estremera e estar o luns, martes e mércores en varias prisións intermedias de Madrid, Castela e até pasou por Teixeiro. En Asturias ubicárono directamente no módulo de aislamento, como sempre estivo nas outras prisións até o de agora, e con ánimo continuaremos levándolle até alá toda a forza que faga falta mentres seguiremos a reclamar por todas as vías o seu traslado a Galiza e que se faga xustiza no seu caso pendente aínda de revisión xudicial.

Carlos espera a partir de agora polas vosas cartas en Villabona. Escribídelle unhas letras, sempre e sobre todo estes días!! Lembrade que todas as súas comunicacións están intervidas, como sempre foi, polo que as cartas tardan semanas en chegarlle e todas son revisadas antes de entregarllas. Grazas a toda a xente que lle dá ánimo. Seguiremos camiñando, un chisco máis aliviados, paso a paso.

A construção da masculinidade nos petróglifos

Carlos C. Varela

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Nenos e homens no Labirinto de Mogor

O conjunto artístico dos petroglifos do Grupo Galaico é a principal porta de acesso que temos às ideologías e relações de poder da Pré-História Recente; pedras semantizadas de forma que não representam tanto uma ideia realista da sociedade quanto um desejo de naturalizar uns determinados principios de visão e divisão da mesma, impostos polos grupos dominantes. Analisados da perspetiva de género, os petroglifos de temática naturalista do Grupo Galaico revelam-se como uma grande narração coral da nova masculinidade emergente no III milenio AEC, no contexto dum nascente processo de diferenciação e estratificação social –embora uma série de dispositivos, isso que Pierre Clastres chamou “a sociedade contra o estado”, conseguiu conjurar até os albores da conquista romana a cristalização de formas complexas e hierarquizadas de controlo político. Hodder descreve esta época, entre o Neolítico Final e as primeiras fases da Idade do Bronze, como marcada em muitas partes da Europa Ocidental por uma crise do comunal e o novo ênfase no individualismo masculino, belicoso e caçador. Ou seja, a visão do mundo que consagra o Grupo Galaico, obviando radicalmente o mundo feminino, quotidiano, recoletor e agropastoril. Assim os petroglifos, com as suas panoplias de armamento guerreiro e as cenas de caça de cérvidos hipermasculinizados, veiculam os discursos da nova masculinidade, em uma sociedade menos igualitária e mais violenta que a anterior.

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O homem sexuado da Siribela

Díaz Andreu quijo atalhar estas leituras de género achegando algumas evidencias da participação feminina nos trabalhos cinegéticos, e também denunciando uma asignação apriorística das armas aos homens. Contudo, o registo arqueológico associa claramente as armas, aos varões, e a possível participação das mulheres na caça não resta –a contrário- significancia à sua ausencia nas caçadas dos petroglifos. Por sua parte, a antropóloga Eleanor Leacock tem sinalado como nas sociedades coletoras-caçadoras contemporáneas a divisão sexual do trabalho nem sempre é sinónimo de desigualdade de género, sendo simplesmente um reparto de tarefas que teriam um valor social parecido. Seria a etnografia  feita polos homens ocidentais, atrapados nos seus próprios mitos masculinos, a que axageraria a importância da caça masculina face a recoleção feminina. Mas os petróglifos não foram gravados polos arqueólogos da modernidade patriarcal, senão por pessoas da própria tribo, e as representações da socieade que fam, mui sesgadas quanto ao género, são inteiramente suas.

O CERVO E O HOMEM: MASCULINIDADES RIVAIS

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Hominho com escudo e espadom da Pedra das Ferraduras, Cotobade

Onde os petroglifos mostram uma economia masculina da caça, as evidencias arqueológicas apresentam mais bem uma sociedade agropastorial com recoleção e pouca caça. No NW peninsular cultivavam-se cereais, leguminosas e brássicas; recoletavam-se landras e avelãs; e pastoreava-se um gado do qual até se aproveitavam produtos secundários como os derivados lácteos. Mas toda esta base económica está completamente ausente no Grupo Galaico, a diferença do resto da arte rupestre europeia, onde sim representam cenas agrícolas e ganadeiras, assim como de recoleção de frutos selvagem ou mel. Enfim, concluem Antonio de la Peña Santos e José Manuel Rey García, “nos petroglifos galaicos non parece que se tratase de reflectir a base subsistencial dos grupos humanos que os gravaron”.

Sobrerrepresenta-se a caça e, ainda, uma caça mui concreta: de igual maneira que se invisibiliza a fauna domêstica –abundavam ovicápridos, bóvidos e suídos-, tampouco se representa a caça menor. Só interessa a caça de grandes machos cérvidos, animais detentores nos petroglifos dum valor simbólico mui superior ao seu rendimento económico. Os petroglifos não são ilustrações etológicas realistas, neles aparecem grandes mandas de machos quando, na realidade, estes vivem sós todo o ano, menos quando na época de zelo formam grupos de fêmeas que defendem doutros machos. Há, pois, uma representação masculinizada da realidade e uma hipersexualização dos machos, desenhados com pénis e cornamentas desproporcionados. Igual que sucede com as figuras antropomorfas, as zoomórficas, quando sexuadas, são sempre machos –com a única exceção de fêmeas copulando ou com um macho que lhe olfateia os genitais. As imagens de machos em zelo, como o espetacular cervo que brama laje da Rotea de Mendo  (Campo Lameiro), São representações apoteósicas das masculinidade, e são estes machos, precisamente, os que contra toda lógica aparecem caçados polos homens. Contra toda lógica porque, tal e como explica Richard Bradley, a caça nas sociedades primitivas obedece a uma racionalidade sustentável: abatem-se de preferencia machos jovens ou fêmeas velhas, para garantir a reprodução.

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Cervo ferido dos Carvalhos

Pierre Bourdieu tem explicado as rituais de passagem, em que os moços de muitas culturas se convertem em homens, como uma operação social que, subretudo, marca a diferença entre os moços/homens que passam o rito e as moças/mulheres que não. A caça dos petroglifos, completamente afastada da caça real, parece um mito masculino, a representação de duas masculinidades rivais –a do homem e a do cervo- que, porém, no seu espetacular enfrontamento ocultam a principal oposição estrutural: a que fam entre o mundo masculino representado e o não representado mundo feminino. Os homens caçam grandes cervos machos para exaltar a sua própria virilidade: é uma caça mítica. No célebre estudo de Godelier sobre a produção de Grandes Homens no povo Baruya, a caça revela-se como uma atividade exclusivamente masculina, cuja importância não se justifica polo valor alimentício mas polo seu valor ritual na  produção de chefes e na reprodução da dominação masculina. Será este o caso galaico?

O FETICHISMO DAS ARMAS

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Copula do cervo

Para uma análise das armas dos petroglifos em chave de género é interessante ter em conta uma advertencia prévia de Comendador Rey: nas ilustrações académicas as armas aparecem deitadas longitudinalmente no seu eixo mais longo, como passivas ou “mortas”; mas sobre o terreno foram gravadas com uma conceção dinámica –dir-se-ia que “viril”- e em orientação orgánica, isto é: com a ponta cara riba. Apontado isto, as armas dos petroglifos oferecem dados relevantes se as cotejarmos com os restos arqueológicos de armas reais. Em primeiro lugar, entre o instrumental metálico representado nunca –ou case nunca- aparecem úteis quotidianos como as machadas, senão armas que funcionavam como emblemas masculinos de estatus social: espadas, punhais, alabaudas e escudos. As investigações que quantificaram a desproporção entre as armas reais encontradas e as suas reproduções em pedra, sinalam que enquanto as utilitárias machadas supõem 50% dos úteis encontrados mas não se representam nunca nos petroglifos, as espadas e punhais, sendos ó 20% dos achádegos, são representadas em 50% dos petroglifos de instrumentos.

Em segundo lugar, os petroglifos magnificam as armas da mesma maneira que cornamentas e pénis: o tamaño médio das armas em pedra é 2’56 vezes maior ao das armas reais: proporção superior no caso das espadas: 47 cm de longitude máxima real face 240 cm que atingem em algum petroglifo. Na Pedra das Ferraduras (Cotobade) um homem sustém um escudo e uma espada que é quatro vezes mais grande que ele. Além da desproporção, os petroglifos de armas realizaram-se de preferência em pedras mais verticais do que as escolhidas para outros desenhos. Espetaculares rochas-panóplia como a do Castrinho de Conxo evidenciam a perspectiva privilegiada em que se gravaram os petróglifos de armas.

A associação entre as espadas e o poder masculino é, a pesar das objeções de Díaz Andreu, um fenómeno cultural praticamente universal. Ainda, as espadas costumaram usar-se como símbolo do pénis: lá onde há sociedades patriarcais armadas surgem conceções cinegéticas ou bélicas do sexo. Leroi-Gourhan, pioneiro na interpretação sexual de arte rupestre europeia, admiraria-se de saber que nos cárcere espanhóis dos presos que vão armados com facas artesanais di-se que vão “ampalmados”, e se cortam alguém di-se que lhe abriu um “chocho”. Como nas caçadas rupestres de cervos.

POST SCRIPTUM

Vários milénios depois, os principios homólogos de visão e divisão que articulavam os petróglifos (masculino/feminino, visível/invisível, vertical/horizontal, poder/trabalho, espetáculo/quotidiano…) continuam bem operativos. Mesmo nos movimentos sociais. Uma olhada aos petróglifos digitais avonda para verificá-lo: enquanto as invisíveis mulheres colam cartezes, revisam textos, cozinham em jantares populares e limpam centros sociais, os visíveis homens continuamos a pegar em microfones e faixas de cabeceira. Aliás, envolvemo-nos em grandes desputas por ver que tem um “-ismo” mais grande, embora nunca se corresponda com qualquer prática real. A política como produção de Grandes Homens, enquanto a mulheres sustentam a vida.

BIBLIOGRAFIA

Bradley, R. (1997) Rock Art and the Prehistoria of Atlantic Europe. Signing th Land. Londres/Nova Iorque: Routledge.

Comendador Rey, B. (1997) “Las representaciones de armas y sus correlates mecánicos”. Em: Costas Goberna, F. J. e J. M. Hidalgo Cuñarro (Coords.). Los motivos de fauna y armas en los grabados prehistóricos del continente europeo. Vigo: Asociación Arqueológica Viguesa, PP. 113-130-

Godelier, M. (1986). La producción de Grandes Hombres. Poder y dominación masculina entre los Baruya de Nueva Guinea. Madrid: Akal.

Hodder, I. (1990). The domestication of Europe: Structure and contingency in Neolithic societies. Oxford: Basil Blackwell Ltd.

Leacock, E. (1981). Myths of Male Dominance

Peña Santos, A. de la e J.M.Rey García. (1995). “Gender and Ellas in the Galician Group of rock art”. European Association of Archaecologists, first annual meeting Santiago 1995-Abstracts. Santiago de Compostela, p. 15.

(2001). Petroglifos de Galicia. Oleiros. Vía Láctea.

La parcialidad al descubierto

Benet Salellas i Vilar, Abogado

fotobenetI .- En el periplo judicial de Carlos Calvo Varela, el 2015 empezaba con una buena noticia: el Tribunal Supremo le absolvía del delito de pertenencia a organización terrorista y de esta manera rebajaba de 12 a 7 los años de cumplimiento por su relación con una mochila con explosivos intervenida en Vigo en septiembre del 2012. Uno a uno, el alto tribunal desmentía las consideraciones de la Sección Primera de la Audiencia Nacional presidida por Grande-Marlaska y emmendaba la enésima invención de nuestro ibérico TOP contemporáneo.

II.- La primavera nos llevó a un nuevo juicio, otra vez con Grande-Marlaska y Nicolás Poveda en el tribunal. Esta vez la fiscalía acusaba a Carlos Calvo de colocar personalmente un artefacto explosivo en un cajero automático en octubre del 2011. El único argumento de la acusación residía en un controvertido hallazgo en el lugar de la acción de un fragmento de carné de conducir a nombre de Carlos, carné que él mismo había denunciado haber perdido -entero-. Desde la defensa, convencidos de la falsedad de la acusación, conseguimos probar que el día de los hechos Carlos se encontraba a centenares de kilómetros de Vigo, en la fiesta otoñal por excelencia, San Froilán. La sentencia aceptó esta tesis y se vió obligada a afirmar que no se puede establecer que el acusado fuese la persona que materialmente había colocado el artefacto.

La resolución de la Sala, sin embargo, condenaba a Carlos Calvo por un hecho que no había sido objeto de debate en el juicio (y por tanto tampoco de acusación): entendía probado que él fue quien proporcionó el explosivo a los autores materiales de los hechos. No se sabe quiénes fueron los autores materiales. No se sabe en qué lugar, en qué fecha ni de qué manera Carlos les habría hecho llegar los explosivos -la sentencia no lo dice ni se esfuerza en esbozarlo- pero la responsabilidad por la tenencia del explosivo recae en Carlos Calvo y le conlleva la imposición de siete años más de privación de libertad. Como la vuelta de la primera absolución.

III.-  Más allá de la crueldad de condenar a alguien sin haberlo sometido a juicio, sin haberle preguntado sobre la tenencia (el fiscal obviamente no lo hizo porque ni siquiera le formuló este cargo) y que esta condena pese sobre la espalda del reo y de su entorno hasta que la tumbe -como una célebre estaca- un tribunal superior, el atropello del principio acusatorio nos revela la parcialidad interna del tribunal enjuiciador. Una sentencia como esta deviene una prueba empírica de ello. El Tribunal ha decidido condenar antes del juicio y si no puede hacerlo a partir de la tesis de la acusación pública, improvisa en otra dirección y sienta unos hechos delictivos indiscutidos, no rebatidos y magníficamente fijados, con alevosía, porque el acusado no se podrá defender simplemente porque aparecerán en escena cuando el juico haya acabado. La pérdida de derechos es evidente, pero de donde proviene este convencimiento tan apriorístico del tribunal? Por qué un joven gallego acaba con catorce años en la espalda cuando el Código Penal castiga con seis años una agresión sexual o con diez un homicidio?

IV.- En Alemania en los años 30 y hasta 1945 grandes teóricos del derecho penal (de Mezger a la escuela de Kiel) llegaron a razonar y a plantear a fondo sobre como el derecho penal tenía que ser un derecho de lucha para atrapar el enemigo allí donde tiene su punto de partida, en la voluntad criminal. Al enemigo del nacionalsocialsmo, se referían, claro. Establecieron como regla de interpretación la analogía contra el acusado, derogaron el principio de personalidad y edificaron un monstruo -como pocos- que acabó justificando la pena de muerte para supuestos de “enemistad jurídica”: comunismo, homosexualidad, aborto o ultrages a la raza. Como fundamento estructural se hablaba de la culpabilidad por “conducción de la vida” que presumía que la aplicación de la severidad del derecho penal no tenía porqué provenir de ningún hecho concreto que fuera delito sino que era suficiente ser de una determinada manera para poder ser culpabilizado y castigado.

V.- Dice David Fernández que “en la tradición inquisitorial hispánica hay un instrumento que sintetiza la brutalidad del poder: el terrible acto de fe. Procesión, misa, sermón. Y hoguera. Y cultura del miedo. Y castigo ejemplarizante. Y aviso a navegantes.” Intuyo que la segunda condena, injusta e inmerecida de Carlos va por aquí y huele tanto a hoguera que harta. De una hoguera que quema en Berlín en los años 30 y en Madrid en 2015. Una hoguera que no necesita pruebas y se atiza alimentada de prejuicios, vanidad y mentalidad de orden de la magistratura española.

Pero el ciclo y la lucha, judicial y no judicial, continúa. Después de la primavera llegará el solsticio, y saltaremos como hemos hecho siempre por encima de las hogueras, de esta que ahora parece tan alta y de todo el resto, en una noche llena de estrellas y de aire estival y recuperaremos entonces el sentido de la palabra justicia cuando tendremos a Carlos entre nosotros.

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A parcialidade ao descoberto

I- No périplo judiciário de Carlos Calvo Varela, 2015 começava com umha boa nova: o Tribunal Supremo absolvia-o do delito de pertença a organização terrorista e deste jeito rebaixava de 12 a 7 os anos de cumprimento pola sua relação com umha mochila com explosivos intervida em Vigo em Setembro de 2012. Um a um, o alto tribunal desmentia as considerações da Seção Primeira da Audiência Nacional presidida por Grande-Marlaska e emendava a enésima invenção do nosso ibérico TOP contemporâneo.

II- A Primavera levou-nos a um novo julgamento, de novo com Grande-Marlaska e Nicolás Poveda no tribunal. Desta vez a fiscalia acusava o Carlos Calvo de colocar pessoalmente um artefacto explosivo num caixeiro automático em Outubro de 2011. O único argumento da acusação alicerçava-se num controvertido achado no lugar da ação  dum fragmento de carta de condução a nome do Carlos, documento do que ele próprio denunciara a sua perda -inteiro-. Da defesa, convencidos da falsidade da acusação, demos provado que o dia dos factos Carlos se encontrava a centos de quilómetros de Vigo, na festa do outono por excelência, Sam Froilám. A sentença aceitou esta tese e viu-se obrigada a afirmar que nom se podia estabelecer que o acusado fosse a pessoa que materialmente colocara o artefacto.

A resolução da sala, porém, condenou o Carlos Calvo por um facto que nom fora objecto de debate no julgamento (e por tanto também nom da acusação): entendia provado que ele foi quem forneceu o explosivo aos autores materiais dos factos. Nom se sabe quem fôrom os autores materiais. Nom se sabe em que lugar, em que data nem de que jeito Carlos lhes faria chegar os explosivos -a sentença nom o diz nem se esforça em esboçá-lo- mas a responsabilidade pola possessão do explosivo recai no Carlos Calvo e implica-lhe a imposição de mais sete anos de privação de liberdade. Como a volta da primeira absolvição.

III- Além da crueldade de condenar alguém sem o submeter a julgamento, sem perguntar-lhe pola possessão (o fiscal obviamente nom o fijo porque nem sequer lhe formulou esse cargo) e que esta condena pese sobre as costas do réu e do seu entorno até que a tombe -como umha célebre estaca- um tribunal superior, o atropelo do princípio acusatório revela-nos a parcialidade interna do tribunal julgador. Umha sentença como esta requer dumha prova empírica. O Tribunal decidiu condenar antes do juízo e, se nom o pode fazer a partir da tese da acusação pública, improvisa noutra direcção e senta uns factos delituosos indisputados, nom rebatidos e magnificamente fixados, com aleivosia, porque o acusado nom se vai poder defender simplesmente porque vam aparecer na cena quando o julgamento acabar. A perda de direitos é evidente, mas de onde provém este convencimento tam apriorístico do tribunal? Por que um jovem galego acaba com catorze anos ao lombo quando o Código Penal castiga com seis anos umha agressão sexual ou com dez um homicídio?

IV- Na Alemanha nos anos 30 e até 1945, grandes teóricos do direito penal (de Mezger à escola de Kiel) chegárom a razoar e a propor a fundo sobre como cumpria que o direito penal fosse direito de luita para atrapar o inimigo ali onde tiver o seu ponto de partida, na vontade do criminoso. Ao inimigo do nacional-socialismo se referiam, com certeza. Estabelecêrom como regra de interpretação a analogia contra o acusado, derrogárom o princípio de personalidade e edificárom um monstro -como poucos- que acabou justificando a pena de morte para supostos de “inimizade jurídica”: comunismo, homo-sexualidade, aborto ou aldragens à raça. Como fundamento estrutural falava-se da culpabilidade por “condução da vida” que pressupunha que a aplicação da severidade do direito penal nom tinha porquê provir de nenhum facto concreto que fosse delito senom que avondava com ser dumha determinada maneira para poder ser culpabilizado e castigado.

V- Diz David Fernández que “na tradição inquisitorial hispânica há um instrumento que sintetiza a brutalidade do poder: o terrível acto de fé. Procissom, missa, sermom. E fogueira. A cultura do medo. E castigo exemplarizante. E aviso a navegantes.” Intuo que a segunda condena, injusta e imerecida do Carlos vai por aqui e cheira tanto a fogueira que farta. Dumha fogueira que queima em Berlim nos anos 30 e em Madrid em 2015. Umha fogueira à que nom lhe cumprem provas e se aviva alimentada de preconceitos, vaidade e mentalidade de ordem da magistratura espanhola.

Mas o ciclo de luita, judiciária e nom judiciária, continua. Após a Primavera há chegar o solstício, e choutaremos como figemos sempre por cima da fogueiras, desta que agora parece tam alta e de todo o resto, numha noite ateigada de estrelas e de ar estival e havemos recuperar daquela o sentido da palavra justiça, quando tivermos o Carlos entre nós.

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A parcialidade ao descoberto

I- No periplo xudicial de Carlos Calvo Varela, 2015 comezaba cunha boa nova: o Tribunal Supremo absolvíao do delito de pertenza a organización terrorista e deste xeito rebaixaba de 12 a 7 os anos de cumprimento pola sua relación cunha mochila con explosivos intervida en Vigo en Setembro de 2012. Un a un, o alto tribunal desmentía as consideracións da Sección Primeira da Audiencia Nacional presidida por Grande-Marlaska e emendaba a enésima invención do noso ibérico TOP contemporáneo.

II- A primavera levounos a un novo xuízo, outra vez con Grande-Marlaska e Nicolás Poveda no tribunal. Desta vez a fiscalía acusaba o Carlos Calvo de colocar persoalmente un artefacto explosivo nun caixeiro automático en outubro de 2011. O único argumento da acusación alicerzábase nun controvertido achado no lugar da acción dun fragmento de carné de conducir a nome do Carlos, documento do que el mesmo denunciara a súa perda -enteiro-. Desde a defensa, convencidos da falsidade da acusación, demos probado que o dia dos feitos Carlos se atopaba a centos de quilómetros de Vigo, na festa do outono por excelencia, San Froilán. A sentenza aceptou esta tese e viuse obrigada a afirmar que non se podía estabelecer que o acusado fose a persoa que materialmente colocara o artefacto.

A resolución da sala, porén, condenou o Carlos Calvo por un feito que non fora obxecto de debate no xuízo (e por tanto tampouco da acusación): entendía probado que el foi quen forneceu o explosivo aos autores materiais dos feitos. Non se sabe quen foron os autores materiais. Non se sabe en que lugar, en que data nin de que xeito Carlos lles faría chegar os explosivos -a sentenza non o di nin se esforza en esbozalo- mais a responsabilidade pola posesión do explosivo recae no Carlos Calvo e implícalle a imposición de mais sete anos de privación de liberdade. Como a volta da primeira absolución.

III- Alén da crueldade de condenar a alguén sen o someter a xuízo, sen preguntarlle pola posesión (o fiscal obviamente non o fixo porque nin siquera lle formulou ese cargo) e que esta condena pese sobre as costas do reo e do seu entorno até que a tombe -como unha célebre estaca- un tribunal superior, o atropelo do principio acusatorio revélanos a parcialidade interna do tribunal xulgador. Unha sentenza como esta require dunha proba empírica. O Tribunal decidiu condenar antes do xuízo e, se non o pode facer a partir da tese da acusación pública, improvisa noutra dirección e senta uns factos delitivos indisputados, non rebatidos e magnificamente fixados, con aleivosia, porque o acusado non se vai poder defender simplemente porque van aparecer na escena cando o xuízo acabar. A perda de dereitos é evidente, mais de onde provén este convencemento tan apriorístico do tribunal? Por que un mozo galego acaba con catorce anos ao lombo quando o Código Penal castiga con seis anos unha agresión sexual ou con dez un homicidio?

IV- Na Alemaña nos anos 30 e até 1945, grandes teóricos do dereito penal (de Mezger à escola de Kiel) chegaron a razoar e a propor a fondo sobre como cumpría que o dereito penal fose dereito de loita para atrapar o inimigo alí onde tiver o seu punto de partida, na vontade do criminal. Ao inimigo do nacional-socialismo se referían, abofé. Estabeleceron como regra de interpretación a analoxía contra o acusado, derrogaron o principio de personalidade e edificaron un monstro -como poucos- que acabou xustificando a pena de morte para supostos de “inimizade xurídica”: comunismo, homosexualidade, aborto ou aldraxes á raza. Como fundamento estrutural falábase da culpabilidade por “condución da vida” que presupuña que a aplicación da severidade do dereito penal non tiña porqué provir de ningún feito concreto que fose delito senón que abondaba con ser dunha determinada maneira para poder ser culpabilizado e castigado.

V- Di David Fernández que “na tradición inquisitorial hispánica hai un instrumento que sintetiza a brutalidade do poder: o terríbel acto de fe. Procesión, misa, sermón. E fogueira. A cultura do medo. E castigo exemplarizante. E aviso a navegantes.” Intúo que a segunda condena, inxusta e imerecida do Carlos, vai por aqui e cheira tanto a fogueira que farta. Dunha fogueira que queima en Berlín nos anos 30 e en Madrid en 2015. Unha fogueira á que non lle cómpren probas e se aviva alimentada de prexuízos, vaidade e mentalidade de orde da maxistratura española.

Mais o ciclo de loita, xudicial e non xudicial, continúa. Despois da primavera ha chegar o solsticio, e choutaremos como fixemos sempre por riba das fogueiras, desta que agora semella tan alta e de todo o resto, nunha noite ateigada de estrelas e de ar estival e habemos recuperar daquela o sentido da palabra xustiza, cando tivermos o Carlos entre nós.

Artigo publicado orixinalmente en catalán aquí 

O Tribunal de Estrasburgo condena a dispersão

Carlos C. Varela

paraugasLonge do que se costuma pensar, a dispersão penitenciaria não é um problema que unicamente afeta a presos políticos bascos. Só na Galiza, por volta de médio milhar de pessoas somos obrigadas a permanecer em cárceres afastadas da nossa Terra, conforme os dados facilitados polo Governo espanhol em resposta às perguntas das deputadas nacionalistas. A dispersão como técnica de chantagem política configurou-se nos anos oitenta, sendo ‘oficializada’ em 4 de maio de 1989 polo ministro do PSOE Enrique Múgica Herzog. Era a vingança do Governo espanhol à rutura das Conversações de Argel com ETA, mas também foi imediatamente aplicada aos presos independentistas galegos. Consistente na separação de presos e o seu deslocamento a cárceres longe da sua Terra, a dispersão vem-se aplicando como um sobrecastigo não contemplado pola lei, e que se ceba especialmente com as famílias e amizades das prisioneiras, condenadas a longas e custosas viagens. O sinistro saldo desta chantagem conta-se por vítimas mortais em accidentes de tráfico, sangrias económicas, e mesmo agressões a visitantes de presos.

Atualmente a dispersão aplica-se sistematicamente às pessoas julgadas por delitos políticos, a muitas outras relacionadas com a deliquência organizada, e também a muitos presos reivindicativos ou conflitivos que são afastados a modo de sanção encoberta. Nestes últimos casos, embora à diferença dos primeiros tenham a possibilidade de voltar a prisões próximas aos seus lares, os efeitos da dispersão costumam resultar mais demoledores: segundo uma investigação da Universidade Pontífica de Comillas, face 89% de presos que recebem alguma visita quando estão encarcerados na sua provincia, apenas 53% têm alguma quando são afastados.

A dispersão viola principios de âmbito constitucional que justificam o encerro como método de reinserção social (arts. 25CE e 1LOGP); salta a própria legislação penitenciária que estabelece que “a política de redistribuição geográfica dos penados debe estar encaminhada a evitar o dessarreigamento social dos mesmos, procurando que as áreas territoriais coincidam, na medida do possível, com o mapa do Estado das Autonomias, dedicando aos penados de cada área, a totalidade da capacidade dos centros de cumprimento que na mesma se ubiquem e procurando que cada área conte com o número suficiente de estabelecimentos para satisfacer as necesidades penitenciárias” (arts. 12.1. LOGP e 9RP); óbvia considerações do âmbito do tratamento penitenciário (art. 63 LOGP); e incumpre legislações e acordos internacionais. Dito em gíria carcerária: o Estado espanhol fai trampas até jogando ao solitario.

A comunidade internacional condenou em diversas ocasiões a política espanhola de dispersão. Em 19 de janeiro de 1996 o Parlamento Europeio exigiu, com votos em contra de PP e PSOE, o respeito das normas existentes sobre o tema, e no informe de 2005 de Theo van Boven –Relator Especial sobre a Tortura da ONU- afirmava-se que “a dispersão não tem base jurídica e aplica-se de maneira arbitrária. Os presos estão longe das suas famílias e advogados, o que pode causar problemas à hora de preparar a sua defesa”. Agora, duas sentenças do Tribunal Europeo de Direitos Humanos (TEDH) podem abrir um novo campo de batalha contra a política de dispersão.

Na primeira das sentenças, no caso Khodorkovskiy e Lebedev vs. Rússia, de 25 de outubro de 2013, o Tribunal Europeo de Estrasburgo julgou o afastamento dos presos como contrário ao Art. 8 do Convénio Europeo de Direitos Humanos, por quanto constitui uma ingerência nos respeito ao direito à vida familiar. A segunda sentença, no caso Vintman vs. Ucraína, ditou-se em 23 de outubro de 2014, volvendo-se recolher o conteúdo da sentença do caso ruso. O preso ucraniano alegava que a obrigação a cumprir condena num cárcere a 700 quilómetros do seu domicílio impossibilitava-lhe ver a sua mãe, já velha e com má saúde. A propósito da primeira sentença um deputado de Amaiur perguntou ao Governo espanhol se pensavam cumprir a sentença europeia, obtendo uma negativa como resposta e um exabrupto de Rajoy: segundo o presidente, a dispersão é “um favor” que se nos fai aos presos.

No seio do Comité de Ministros do Conselho de Europa, Björn von Sydow –ministro de defesa de Suécia entre 1997 e 2002, e presidente do Parlamento sueco de 2002 a 2006- e Andreas Gross –presidente do Grupo da Assembleia Parlamentar do Conselho de Europa- interessan-se pola dispersão de presos no Estado espanhol, e em julo registaram uma pregunta ao Comité de Ministros: “Como pode o Comité de Ministros asegurar que estes internos sejam encarcerados de acordó com o TEDH em centros em áreas tão cercanas às suas famílias quanto seja possível?”, tendo em conta o “custo e perigo” da dispersão. A resposta do Comité de Ministros, recentemente conhecida, di que. “O Conselho de Ministros observa que o TEDH não estimou que Espanha viola a Convenção a causa de que os detidos espanhóis não tenham sido internados em estabelecimentos situados em lugares próximos aos seus familiares”.

Para Iñaki Lasagabaster, Catedrático de Direito, a resposta é “correta e veraz”, porque efetivamente ainda não chegou ao TEDH nenhum recurso contra a dispersão espanhola, mais isto não supõe, nem muito menos, uma confirmação europeia da política de dispersão. A Constituição espanhola reconhece o valor jurídico do TEDH e demais acordos internacionais que tenha ratificado (art. 10.2.), e a própria doutrina jurídica europeia sinala que as sentenças tenham um efeito de orientação sobre os direitos internos ou, como se costuma dizer, as sentenças de Estrasburgo têm valor de cousa interpretada, e não afetam somentes quando se é parte no processo.

Como com a Doutrina Parot ou a decissão marco da UE sobre o cumprimento de condenas por uma mesma causa em dous países, o Estado espanhol demorará ao máximo a aplicação da decisão europeia, enquanto, semana a semana, milhares e milhares de quilómetros continuarão a mover a ruleta russa da dispersão.

Estremera, 2 de março de 2015

P.S.: Nas primeiras semanas de 2015 os presos do módulo de isolamento de Topas fomos transladados a outras prisões por mor dumas obras. A Junta de Tratamento perguntou a todos os presos, menos a mim, aonde preferiam ser transladados. Logicamente, todos solicitaram ser achegados a prisões próximas à sua família. Os translados efetuados forom os seguintes: J., que é de Madrid, para Teixeiro. S., madrilenho, para Palencia. D., que mora em Madrid, para Leom. R., logronhês, para Madrid. Eu e J., galegos, para Madrid…

(Artigo publicado en Praza Pública)

Julio Cortázar: Fragmentos para uma ode aos deuses do século

ilustracion-oda-aos-deuses-do-seculo-BY-polo-1024x1379“(…) O culto dos deuses maiores é público, fedorento e estrepitoso, apresenta-se como Positivo, como Festa, como Liberdade. Um dia sem deuses maiores é a paralisia de uma nação de homens; uma semana sem deuses é a morte de uma nação de homens. Os deuses maiores são os mais recentes, ainda não se sabe se ficarão ou abandonarão os seus adoradores. À diferença de Buda ou Cristo são um problema, uma incertidão; convén adorá-los afebradamente, pôr um tigre no motor, pedir a máxima quantidade, encher os tanques com o seu frio, desdenhoso orgasmo: olhar continua a ser grátis até nova orden, mas também não é certeza. Os teólogos consultam-se. Onde reside o sentido oculto dos textos sagrados Ponha um tigre no seu motor: Apocalipse iminente? Abadonarão-nos um dia os deuses maiores”.


Tradução do Carlos para a ‘Revista para uma nova civilização, 15-15-15’ de um poema de Lonstein, uma das personagens do ‘Libro de Manuel’ (1973) de Julio Cortázar.

Ilustração: polo

Aclaración sobre quién es Carlos Calvo y su posición (II)

Benet Salellas i Vilar, abogado, 12 de marzo del 2015

En el mes de diciembre pasado hice público un comunicado de urgencia con este mismo título para salir al paso de la difusión en aquel entonces de un correo electrónico con acceso a una web autodenominada A Fouce – Voz da Resistencia Galega. Ese texto no fue consensuado con Carlos Calvo por razones obvias dado que había que desmentir inminentemente la relación que indirectamente ese canal establecía entre Carlos Calvo y la autodenominada Resistencia Galega (Rega) y sin embargo no había tiempo suficiente como para ir a visitar a Carlos en Topas. Ese texto, escrito con la indignación que produce la falsedad evidente de vincular a Carlos con Rega y de hacerlo precisamente desde Rega (o de quien le suplantara) durante los días que el Tribunal Supremo deliberaba sobre el recurso de la condena de Carlos en su primer juicio, nos provocó a mi y a la familia de Carlos un desasosiego e inquietud que nos hizo exceder en el objetivo inicialmente marcado para el comunicado.

Convencidos de la necesidad de aclarar ambigüedades y confusiones que pueden haber existido durante estos años –y de ahí el título del texto- aprovechamos para pedir la retirada de la fotografía de Carlos de algunas web que, legítimamente, han afrontado de forma distinta esta durísima amalgama de represión, estrategia antirepresiva, defensa de los presos y comunicados de Rega (o de quien le suplante). El uso de la palabra manipulación atribuida a Ceivar y Que voltem a casa no fue acertada. En este sentido y como prueba que Ceivar está convencida que de sus acciones o material no se puede inferir nunca que se insinúe la vinculación de Carlos Calvo con Rega, adjunto a este comunicado el texto que en fecha 11 de marzo he recibido de la Mesa Nacional de Ceivar: carta_pedido_rectificaçom_20150311 En el punto 4, deja clara esta cuestión y por lo tanto rectifico.

He actuado en este tema no como militante sino como abogado de Carlos intentado rehuir en todo momento un discurso ambivalente sobre la acusación ejercida contra él, para mí esto era importante. Porqué él me lo pidió y porqué además Carlos nunca tuvo que ver con Rega. También me pidió que le defendiera dignamente, como dice él, sin ser víctima ni tampoco héroe. Es un honor para mí defender una persona como Carlos Calvo por su entereza y su alto valor intelectual, humano y político. Cada día intento estar a su altura, que no es fácil, y hacerlo lo mejor posible, aunque a veces pueda cometer errores como el que he mencionado y que he explicado.

Pero no despistemos, Carlos es quien tiene la palabra y quien debe tener el protagonismo en este tema. Él es el único que puede fijar la posición política de su campaña, por ello Carlos ha escrito una carta desde Estremera sobre esta Aclaración con la voluntad que sirva para corregir los matices de mi texto y para generar el debate necesario al respecto, carta que transcribo a continuación:

ALGUMHAS ACLARAÇONS NECESSÁRIAS
A estratégia da construçom jurídico-policial dumha “organizaçom terrorista” galega, isto é: do comodim legal que permite ao Estado punir gravemente qualquer desobediência (eis figuras como a de “pertença”, “colaboraçom” ou “enaltecimento”), recorda muito à implementada em Itália na década de 90. Na altura a polícia italiana começou por deter várias pessoas vinculadas ao anarquismo, para depois conseguir um “arrependido” que, a modo de chave de abóbeda que sustentasse o relato policial, reconheceu a existencia dumha organizaçom que coincidia exatamente com o exigido pola lei para tipificá-la como “terrorista” e multiplicar as penas.

Contudo, nom se pode continuar a repetir esta denuncia como se no caso galego nom houvesse umha diferença substancial: entre o poder e algumha instância do independentismo está-se a dar umha paradoxal coincidencia na construçom deste relato, ao elevarem umha série de sabotagens contra mercadorías e propiedades privadas –nunca contra pessoas- ao nível de “terrorismo”/”luita armada”. A lógica política do reconhecimento, advertia Deleuze, pode acabar levando mesmo a que haja quem queira ser julgado, embora só seja para sesr declarado culpável.

Causou-me perplexidade ler na imprensa, após a primeira sentença da Audiência Nacional espanhola sentando a existencia dumha “organizaçom terrorista” na Galiza, um comunicado que pouco menos que dava por boa tal versom. Mais recentemente, apareceu um web que se reclama “voz da resistência galega” e que incluia sem autorizaçom a minha fotografía. Logicamente solicitei a sua retirada, o que, desafortunadamente, deu num comunicado que incluia opinions políticas que nom eram as minhas. Assim as cousas, tenho que fazer as seguintes aclaraçons:

1. Sou independentista, mas nunca militei em nengum partido nem, evidentemente, em nengumha “organizaçom terrorista”. Figem parte de vários projetos dos movimentos sociais, sobretudo dos meios de comunicaçom, com os quais continuo a colaborar. Desde que me encarcerárom, os únicos posicionamentos políticos que realizei fôrom, única e exclusivamente, os que assinei pessoalmente.

2. Até finais de 2012 fum assistido judicialmente por um advogado de Ceivar. Também Esculca tivera a atençom de apresentar um recurso contra a detençom incomunicada. Por falta de confiança rompim com esse advogado, pasando a ser defendido por Benet Salellas. O que esperaba que pudesse ser umha transiçom amigável e cooperativa, aginha se converteu, para Benet e para mim, numha carreira de obstáculos e difamaçons, cujo coralário foi o acontecido no julgamento de maio de 2014. É verdade que Ceivar me oferecera ajuda económica para os gastos no dia a dia em presom, mas rejeitei-na por ser incoerente com os problemas que já estábamos a ter no plano judicial.

Quanto à plataforma Que Voltem para a Casa, agradeço sinceramente a atividade solidária das pessoas em concentraçons, protestos e marchas, embora lamente que nunca tivéssemos comunicaçom.

3. Após a minha detençom fum transladado a Madrid algemado, com umha saca na cabeça e rodeado de polícias que me ameaçavam com deter a minha companheira se nom me mostraba mais “dialogante”. Ao mesmo tempo, havia quem lhe dizia a ela algo assim como que “a moça do preso” nom tem nada que opinar sobre as açons anti-repressivas. Nom é um exemplo pontual, senom o contexto no que foi decorrendo tudo até hoje, a mostra de que Estado e vanguardismo compartem muitas lógicas, como a patriarcal.

Creio, pola contra, que como di Santiago Alba Rico em matéria anti-repressiva, temos muito que aprender das mais e avoas de Maio, quem “demonstrárom aos que despreçam as tarefas domésticas que preparar croquetes e remendar peúgas para os filhos durante anos e anos é também umha boa maneira de treinar-se para combater contra umha ditadura feroz. A ampliaçom do âmbito da sua luita desde as cozinhas dos seus lares e a expansom da sua consciência social e a sua atividade militante (…) confirma o passo natural do cuidado dos corpos ao cuidado do mundo que chamamos política”.

4. Nem “herói” nem “vítima”. Intento passar o cárcere por um caminho digno mas estreito, deixando a ambos os lados as pendentes escorregadizas destes dois papeis simétricos, que tenhem em comum o silêncio dos objetos. Entre a privatizaçom despolitizadora do encerro, ou a sua gestom vertical que nom me dá nem voz nem voto, negó-me a escolher. (Rejeitar o papel de “vítima”, por se houvesse dúvidas, nom significa aceitar esta situaçom essencialmente injusta, ou deixar de denunciar, por exemplo, que no próximo julgamento terei que enfrentar-me com umha descarada montagem policial). Mas para poder seguir por este carreiro fai falta mais comunidade, mais tribo, que o amplie e torne mais transitável.

Na minha opinión, a “Rede de apoio De Volta para Loureda” supujo umha corrente de ar fresco que desbordou os limites das práticas anti-repressivas clássicas –tam centradas na gestom da representaçom-, demonstrando que há muita mais solidariedade com as presas independentistas além do que esses limites deixam ver. Lamentavelmente, a iniciativa parece que foi mais atacada do que imitada, replicada e coletivizada.

5. Escrevo porque me gosta, porque me ajuda a romper a soidade e porque é umha forma eficaz de denuncia. Também porque a teoria e a política som demasiado importantes para deixá-las em maos de teóricos e políticos. Porém, sinto-me mui incómodo com essa personagem, que se quadra eu mesmo alimentei inconscientemente,
do “filósofo preso”. Quando se usa para contrapô-la ao resto de presos pom-se em marcha umha dessas velhas lógicas da divisom que tam bem funcionaram na Galiza: aquí o poder disolve intensidades a golpe de reconvertê-las em distinçom.

Quando gente que me apreça me di que “o cárcere nom é sítio para ti” sei que o dim com a melhor fé, mas nom podo evitar que me invada a amargura. O cárcere nom é sítio para ninguém. Escreve isto num módulo de isolamento, numha arquitetura caníbal, que ela sozinha já matou mais pessoas do que qualquer “organizaçom terrorista” galega. A única postura aceitável “de mínimos”, “de direito”, é a defesa incondicional de todos os direitos de todas as pessoas presas.

Por último, quero recordar que levo mais de dous anos em regime de issolamento, dispersado por até seis prisons a centos de quilómetros da Galiza, e com a proibiçom de participar mesmo nas atividades culturais e desportivas programadas para presos de 1º grau. Ainda, até em duas ocasions pretendeu a polícia entrar a chantajear-me em prisom. Mas jamais me sentim só nem longe da Terra graças a vós. Recebede toda a minha gratitude.

Carlos Calvo Varela. Estremera, 30 de janeiro de 2015.

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ALGUNAS ACLARACIONES NECESARIAS

La estrategia de la construcción jurídico-policial de una “organización terrorista” gallega, esto es: del comodín legal que permite al Estado punir gravemente cualquier desobediencia (é aquí figuras como la de “pertenencia”, “colaboración” o “enaltecimiento”), recuerda mucho a la implementada en Italia en la década de los 90. En esa altura, la policía italiana comenzó a detener a varias personas vinculadas al anarquismo, para después conseguir un “arrepentido” que a modo de llave de bóveda sustentase el relato policial, reconoció  la existencia de una organización que coincidía exactamente con lo exigido por la ley para tipificarla como “terrorista” y multiplicar las penas.

Con todo, no se puede continuar a repetir esta denuncia como si en el caso gallego no hubiese una diferencia substancial: entre el poder y alguna instancia del independentismo se está produciendo una paradoxal coincidencia en la construcción de este relato, al elevar una serie de sabotajes contra mercancía y propiedades privadas –nunca contra personas- al nivel de “terrorismo”/”lucha armada”. La lógica política del reconocimiento, advertía Deleuze, puede acabar llevando mismo a que haya quien quiera ser juzgado, aunque solo sea para ser declarado culpable.

Me causó perplejidad leer en la prensa, después de la primera sentencia de la Audiencia Nacional española sentando la existencia de una “organización terrorista” en Galicia, un comunicado que poco menos que daba por buena tal versión. Más recientemente, apareció una web que se reclama “voz de la resistência gallega” y que incluía sin autorización mi fotografía. Lógicamente solicité su retirada, lo que, desafortunadamente, derivó en un comunicado que incluía opiniones políticas que no eran las mías. En este contexto, tengo que hacer las siguientes aclaraciones:

1. Soy independentista, pero nunca milité en ningún partido ni, evidentemente, en ninguna “organización terrorista”. Formé parte de varios proyectos de los movimientos sociales, sobretodo de los medios de comunicación, con los cuales continuo colaborando. Desde que me encarcelaron, los únicos posicionamientos políticos que realicé fueron, única y exclusivamente, los que firmé personalmente.

2. Hasta finales del 2012 fui asistido judicialmente por un abogado de Ceivar. También Esculca tuviera la atención de presentar un recurso contra la detención incomunicada. Por falta de confianza rompí con ese abogado, pasando a ser defendido por Benet Salellas. Lo que esperaba que pudiese ser una transición amigable y cooperativa, pronto se convirtió, para Benet y para mi, en una carrera de obstáculos y difamaciones, cuyo coralario fue lo que pasó en el juicio de mayo de 2014. Es verdad que Ceivar me ofreciera ayuda económica para los gastos en el día a día en prisión, pero la rechacé por ser incoherente con los problemas que ya estábamos teniendo en el plano judicial.

En quanto a la plataforma Que Voltem para a Casa, agradezco sinceramente la actividad solidaria de las personas en concentraciones, protestas y marchas, al  mismo tiempo que lamento que nunca tuviésemos comunicación.

3. Después de mi detención fui trasladado a Madrid esposado, con un saco en la cabeza y rodeado de policías que me amenazaban con detener a mi compañera si no me mostraba más “dialogante”. Al mismo tiempo, había quien le decía a ella algo así como que “la novia del preso” no tiene nada que opinar sobre las acciones anti-represivas. No es un ejemplo puntual, sino el contexto en el que fue sucediendo todo hasta hoy, la muestra de que Estado y vanguardismo comparten muchas lógicas, como la patriarcal.

Creo, por el contrario, que como dice Santiago Alba Rico en materia anti-represiva, tenemos mucho que aprender de las madres y abuelas de Mayo, que “demostraron a los que desprecian las tareas domésticas que preparar croquetas y remendar medias para los hijos durante años y años es también una buena forma de entrenarse para combatir contra una dictadura feroz. La ampliación del ámbito de su lucha desde las cocinas de sus lares y la expansión de su consciencia social y su actividad militante (…) confirma el paso natural del cuidado de los cuerpos al cuidado del mundo que llamamos política”.

4. Ni “héroe” ni “víctima”. Intento pasar la cárcel por un camino digno y estrecho, dejando a ambos lados las pendientes escurridizas de estos dos papeles simétricos, que tienen en común el silencio de los objetos. Entre la privatización despolitizadora del encierro, o su gestión vertical que no me da ni voz ni voto, me niego a escoger. (Rechazar el papel de “víctima”, por si hubiese dudas, no significa aceptar esta situación esencialmente injusta, o dejar de denunciar, por ejemplo, que en el próximo juicio me tendré que enfrentar con un descarado montaje policial). Pero para poder seguir por este carrero hace falta más comunidad, más tribu, que lo amplíe y vuelva más transitable.

En  mi opinión, la “Rede de apoio De Volta para Loureda” supuso una corriente de aire fresco que desbordó los límites de las prácticas anti-represivas clásicas –tan centradas en la gestión de la representación-, demostrando que hay mucha  más solidaridad con las presas independentistas más allá de los que esos límites dejan ver. Lamentablemente, la iniciativa parece que fue más atacada de lo que imitada, replicada y colectivizada.

5. Escribo porque me gusta, porque me ayuda a romper la soledad y porque es una forma eficaz de denuncia. También porque la teoría y la política son demasiado importantes para dejarlas en manos de teóricos y políticos. Sin embargo, me siento muy incómodo con ese personaje, que quizás yo mismo alimenté inconscientemente, del “filósofo preso”. Cuando se usa para contraponerlo al resto de presos se pone en marcha una de esas viejas lógicas de la división que tan bien funcionaran en Galicia: aquí el poder disuelve intensidades a golpe de reconvertirlas en distinción.

Cuando gente que me aprecia me dice que “la cárcel no es sitio para ti” sé que lo dicen con  la  mejor intención, pero no puedo evitar que me invada la amargura. La cárcel no es sitio para nadie. Escribo esto en un módulo de aislamiento, en una arquitectura caníbal, que ella sola ya mató a más personas que cualquier “organización terrorista” gallega. La única postura aceptable “de mínimos”, “de derecho”, es la defensa incondicional de todos los derechos de todas las personas presas.

Por último, quiero recordar que llevo más de dos años en régimen de aislamiento, dispersado por hasta seis prisiones a cientos de quilómetros de Galicia, y con la prohibición de participar incluso en las actividades culturales y deportivas programadas para presos de primer grado. Además, hasta en dos ocasiones pretendió la policía entrar a chantajearme en la prisión. Pero jamás me sentí solo ni lejos de la Tierra gracias a vosotros. Recibid todo mi gratitud.

Carlos Calvo Varela. Estremera, 30 de enero de 2015.

O Tribunal Supremo absolve a Carlos de pertenza a organización terrorista e rebaixa de 12 a 7 anos a pena de prisión imposta pola Audiencia Nacional en maio do 2014

O Tribunal Supremo dictou o 23 de decembro do 2014 unha sentenza dada a coñecer o 13 de febreiro do 2015 na que estima parcialmente o recurso de casación interposto pola defensa de Carlos e o absolve de pertenza a organización terrorista. Con esta decisión, o Tribunal Supremo rebaixa de 12 a 7 anos de prisión a pena privativa de liberdade imposta pola Audiencia Nacional en maio do 2014.

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