Fragmentos de correspondência carcerária

Carlos C. Varela

sobre praia

A Revolta, 25 de janeiro de 2016

“(…) contárom-me tamén que inda tenhem alcalde de bairro, mas que desde que ghoverna o PP, já nom o escolhem mais as vizinhas. A última vez que o escolheram eles, fora um domingo à saída da missa (nom lembro o ano, pensó que me digeram 85), que só se apresentaram Pinho e Louzao (o Pinho vem polo bar) e ganhara Pinho por muita diferença. Pinho é socialista e conta-me mui orgulhoso como conseguiu que muitas mulheres d’ali, quando sacarom o decreto lei para que as amas de casa puideram cotizar pola agrária, e estava el de alcalde de bairro, tiveram agora a paga e muitas cousinhas mais (…)”.

C.P. Cáceres II, 10 de fevereiro de 2016

(vem o recorte duma notícia de Berria “Isaac Xubin itzultzaile galiziarra saritu du Etxapare instituak”, e a tradução num post-it.).

“(…) ¡Ah!, en relación con el fuego, me viene a la mente el proyecto de soberanía energética de Bera (Nafarroa), que tiene que ver también con la gestión sostenible de los bosques; puede que a tus amigos comuneros les interese. Han cambiado todas las instalaciones municipales de calefacción de gas y gasoil por una común de “pelet”, calentando desde un centro único el polideportivo, la escuela, el ayuntamiento… Además, hasta ahora compraban la madera (“pelet”) a otras regiones de Nafarroa pero ya están pensando en ser autosuficientes, cambiando el sistema tradicional de reparto de madera comunal por una cooperativa forestal.

(…) Alguien ya dijo que es más fácil hacer la guerra que construir la paz, y ¡cuanta razón tenía!; me doy cuenta de que a pesar de la dureza de la lucha armada, para algunos es más cómodo seguir una inercia en el resistir que en el innovar, probar otras dinámicas, y el abrir la mente. Yo diría que es una comodidad mental, Carlos, pues tú bien sabes que ¡esto de cómodo no tiene ni ostias! (…)”.

Oostvorne, 6 de março de 2016

“(…) deunos tempo de visitar Praga e Budapest. Nesta última cidade, aparte de ir aos baños, como facían os meus avós en Carballo, vimos unha catedral na que teñen enterrados, un a cada lado do altar, ao primeiro rei de Hungría e a Puskas, compartindo honras!!

E falando de fútbol (voetbal en holandés, vou aprendendo!) creo que podemos establecer un certo paralelismo entre o Encrobas e o Dépor. Ambos fixeron unha primeira volta de película, pero na segunda vaia por Dios…

(…) cando morreu miña avoa, que eu estaba no tanatorio con un irmán dela, aparece outro paisano e dille:

-“A ver, Domingo, cando montas ti unha fesa destas?”

E dille el:

-“Se queres facémola os dous xuntos, que aínda nos fan precio”. Viva o humor negro chaval!”.

Vigo, 9 de março de 2016

(Uma aquarela do Merdeiro do Berbês!)

Castro de Marçoa, 30 de março de 2016

(Com uma fotografia histórica da Associaçom Reintegracionista de Ordes)

“(…) Estive em Loureda a saudar à tua mae, mas nom estava, voltarei outro dia… Boa primavera!”.

Lycée Horticole de Blois, 5 de abril de 2016

“(…) Dizia-che que tinha medo de encontrar-me umha França a meio camino entre Houellebecq e o Germinal de Zok, mas acho que ia bastante desencaminhado (…). O sítio em que me encontró é umha chaira enorme, atravessada polo imenso Loira (La Loire, em feminino, em francés). Vale de Loira de longos céus, pensó lembrando a Terra Chá de Manuel María na voz de Suso Vaamonde (…)”.

Vila de Grácia, 8 de abril de 2016

“(…) está forte o Dépor e as equipas galegas em geral. Eu agora co futebol e o Barça ando algo desconectado. Na Grácia dende fai dous anos estamos a seguir o Europa, equipa do nosso bairro e umha das equipas fundadoras da Liga. Fundamos un grupo de siareiras, chamamo-nos Eskapulats, em referência ao escapulario que levamos na equipaçom. Tentamos nom entrar no rolho ultra de garrulismo e machismo. Buscamos a reciprocidade entre a rua e a equipa levando os problemas do bairro e do país à grada”.

Quistiláns, 16 de abril de 2016

“Tenho o meu avó a dar voltas pola cozinha adiante e a mirar polas janelas cada dous por três, dizendo alternativamente “chove, caralho” e “chove, cona” com umha cortina na mao. Cada dia entendo-o um pouco melhor, porque me estou a tornar completamente dependente de meteorología como ele. É alucinante como me muda o estado anímico conforme varia o tempo: sinto-me identificado com esses galos de Barcelos que compram as velhas na feira de Valença e que ponhem de par do televisor, aí a mudar de cor conforme chova ou venha o sol…”

Cadernos de 2016

Carlos C. Varela

pinchacarneiro

ÍNCLITA ORDEN DEL TOISÓN DE ORO

Enquanto na Galiza estão a deter a independentistas pola sua atividade política, na televisão española anunciam que a infanta Leonor vem de receber o colar da Ínclita Orden del Toisón de Oro. Se quadra havia rir Cunqueiro, quem deixou escrito que a dita Ordem fora “fundada, como sabem, porque um duque de Borgonha encontrou na cama uns pelinhos loiros caidos de certa parte da sua amante, embora depois para a sua emblemática recordasse a aventura de Jasão à procura do Velhocino” (1). E é que ainda vai ter origens certas a mui ordense expressão “cago na cona da reina!”, usada em ocasiões como a de hoje.

(1). Álvaro Cunqueiro, Fábulas y leyendas de la mar, Barcelona, Tusquets, 1986, p. 207.

PORNÓGRAFOS

A pornografía moderna nasce como um género de oposição ao absolutismo, vinculada ao libre pensamento e à heresia, à filosofia natural e às ciencias; mesmo Diderot foi encarcerado por pornógrafo em 1749. Ao parecer a condena da pornografia não tinha tanto a ver com a sua explicitação do erótico –numa forma, aliás, terrivelmente machista- como com a reivindicação da autonomia, do “sexo polo sexo”, desse ámbito que Kant definia como a coincidencia entre fins e médios. A emergência destes espaços de autonomia indignava por igual a esquerda e direita, que também combaterão a aparição de uma vanguarda artística que proclamará a “arte pola arte”. “Não em balde” –diz Jordi Claramonte- “os experimentos musicais do joven Shostakovich foram qualificados unánimemente polo New York Times e polo Pravda, singular gesta, como pornografía”. (1).

Com o golpe fascista uma vaga anti-pornográfica percorreu a Galiza. No 14 de agosto de 1936 apareceu no Boletín Oficial de la Provincia uma ordem do tenente coronel da Guarda Civil Florentino González Vallés, delegado de Ordem Pública na Corunha: “Las bibliotecas de todos los centros clausurados serán eliminadas, procediéndose a la quema de toda la prensa, libros y folletos de propaganda de ideas extremistas, así como la de temas sociales y pronográficos (…)”. Não se salvará da cruzada anti-pornográfica Vicente Díaz Veiga, a.k.a. ‘Carro de Lídia’, figura extraordinária do obreirismo ferrolão (2). Carpinteiro de profissão e emigrante retornado, Carro de Lídia escrevia sobre assuntos rurais na imprensa obreira. Refugiado dos fascistas na Cova de Ponte Prados, entre as praias de Baldovinho e Pantim, é detido pola Guarda Civil em junho de 1937, quando já levava um ano vivendo ali a base de marisco, peixe e verduras. No registro da furna incautam-lhe as seguintes cousas:

-Ferramentas de trabalho.

-O rascunho dum poema contra o exército e a Igreja.

-Um projeto de “Município Livre de Baldovinho”.

-Vários exemplares da revista valenciana Estudios.

Esta última publicação, mui popular entre o movimento libertário galego, e de teses naturistas, foi tomada polo Ilustríssimo Juiz por pornografia. Enviado ao Castelo de S. Felipe, Carro de Lídia livra-se da pena de morte, que lhe é comutada pola prisão perpétua. Antes de sair em liberdade em 1944 passa polos penais de São Sebastião, Burgos e Corunha. Fora dos muros retoma a colaboração com a resistência galega, sendo detido novamente por mor dum delator. Cumprirá novamente condena no cárcere do El Dueso entre 1949 e 1953, tempo que aproveitará para escrever trabalhos como La crucifixión del labriego, autoeditado em 1965.

(1). Jordi Claramonte, Lo que puede un cuerpo. Ensayos de estética modal, militarismo y pornografía, Murcia, Cendeac, 2009, pp. 65-66.

(2). Eliseo Fernández, Obreirismo ferrolán, Vigo, A Nosa Terra, 2005, p. 76 e 159.

O COMUNISMO HÁ CHEGAR DE BICICLETA

O I Congreso Nacional de Ciclistas Vermelhos tivo lugar em Itália num 24 de agosto de 1913. Os obreiros lá reunidos elevaram a bicicleta à categoria de “veículo do povo”, muito antes de que o carro privado aparecesse como primeiro objetivo da emancipação consumista do proletariado. Entre as conclussões do citado congreso pode-se ler: “Nos periodos especiais (eleições, agitações, greves), os ciclistas vermelhos assegurarão os meios rápidos para a comunicação e a correspondencia (…). As bicicletas vermelhas serão a vanguarda da nossa propaganda e o nosso movimento, o meio polo que os nossos afiliados de todas as comarcas permanecerão em contato, em tempos de paz e de guerra”.

Tal foi o caso de José Pérez Sanmartín, latoeiro noiês que morava na vila de Ordes quando o franquismo trouxo o terror. Segundo o informe da Delegación de Orden Público Pérez Sanmartín participou da defesa da república em Ordes “con bombas de mano y en el momento de ser detenido, le fueron ocupadas dos de ellas que tenía ocultas en un monte; además sirvió de agente de enlace entre los grupos de los rojos que tenían cercada la villa de Órdenes; yendo montado en una bicicleta para transmitir las órdenes con mayor rapidez; vino a Santiago y luego marchó a La Coruña, como jefe de grupo, para hacer frente al ejército (…)”.

O ciclista vermelho de Ordes foi fuzilado no cemitério de Boisaca no amencer do 8 de fevereiro de 1937, junto com os seus companheiros que agora são conhecidos como os “11 de Ordes” (1).

(1). Manuel Pazos Gómez, A Guerra silenciada. Mortes violentas na comarca de Ordes 1936-1952, Ordes, A. C. Obradoiro da História, 2011, pp. 50-51.

CICLONAUTAS

Outras das conclussões de aquele congreso italiano de ciclistas vermelhos era a  de que “o desporto é um problema gravíssimo, que desvia a atenção dos obreiros e especialmente dos jovens. Distrai-os do estudo dos problemas sociais e afasta-os das associações políticas”. Tal e como faziam os críticos do “sexo polo sexo” ou da “arte pola arte”, os ciclistas vermelhos condenavam sem paliativos “esses jovens mais desejosos de ler La Gazetta dello Sport que o Avanti!, esses jovens preocupados só por fazer o amor e correr em bicicleta”. O ciclismo polo ciclismo resultava pronográfico. Há que deslocar a olhada para o feminismo se se quer achar uma valorização positiva da bicicleta em si.

Segundo a sufragista Elizabeth Stanton “as mulheres viajamos, pedaleando, cara ao direito de voto”, e para Susan Anthony “a bicicleta fijo mais do que nada e mais do que ninguém pola emancipação das mulheres no mundo” (1). Com a nova viatura podia-se viajar até quatro vezes mais rápido do que caminando, facilitando uma grande autonomia e liberdade de movimentos, superando as fronteiras da cidade burguesa e a sua moral. O seu uso, aliás, justificou que as mulheres se pudessem desprender de prendas-cárcere como o corsé e as saias incômodas, e em nome da liberdade de pedaleio chegou também a liberdade de pensamento: em calças desportivas foi, com certeza, mais fácil imaginar a emancipação feminista (2).

Assim as cousas cada pedalada foi acompanhada pola sua correspondente condena. Já o famoso criminólogo Cesare Lombruso acusara a bicicleta em 1900 de ser “o veículo mais rápido no camino à delinquência, porque a paixão polo pedal arrasta ao roubo, à estafa e ao atraco”; ainda, os seus colegas descreviam na Literary Digest a doentia “cara de ciclista”. O principal reproche anti-ciclista vinha, como sempre, do lado dos escudeiros da moral sexual. Num dos seus últimos contos Neira Vilas recorda a condena, em plena missa, que levou uma moça por passear de bibicleta excitando o crego (3). Em La moralidad pública y su evolución, um livro editado em 1944 polo franquismo de forma reservada, só para as autoridades do regime, temia-se pola 2perjudicial influencia que la generalización del uso de la bicicleta ha producido en orden a las excursiones lejos de la ciudad” (4), que as parelhas novas aproveitavam para terem algo de intimidade. Mas a bicicleta não só conduzia rápidamente aos territórios do pecado: era um pecado em si. A fricção da entreperna feminina com o silhim preocupou, e muito, a toda a congregação da polícia sexual, formada por médicos, sacerdotes e demais gente de ordem. Tão indecoroso roze, prognosticavam os científicos, havia producir histérias, infertilidades e abortos, até deixar as mulheres loucas polo prazer de pedalear.

(1). Tomei estas citas de Eduardo Galeano, “Alarma: ¡Bicicletas!”, Mujeres, Madrid, Siglo XXI, 2015. Seguro que se podem encontrar muitas mais referências em Biciosos, o libro de Pedro Bravo.

(2). Philipp Blom, Años de vértigo. Cultura y cambio en Occidente, 1900-1914.

(3). Xosé Neira Vilas, Romaría de historias, Vigo, Galaxia, 2015, p. 65.

(4). La moralidad pública y su evolución, Madrid, edição reservada, 1944, p. 83. Cit. Em Carmen Martín Gante, Usos amorosos de la post-guerra española, Barcelona, Círculo de Lectores, 1988, p. 235.

AS FRICATRIZES DA AMAIA

Os rapazes quando saem de “caralhada” falam de ‘meter’, ‘pinchar’, ‘cravar’, etc., enquanto as moças –polo menos as da Amaia- falam mais bem de ‘frotar’ explicitando as diferentes mitologias sexuais que articulam os desejos de homens e mulheres. O temor à frotação com o silhim de bici é só um capítulo mais da longa história masculinista do temor à fricção feminina, isto é: à autonomia sexual das mulheres. O silhim e o clítoris tornavam prescindíveis os homens, numa forma de prazer que Freud aginha rebaixará a “imaduro”. Quando a começos do s. XVII Thomas Bartholin revisa as Institutiones anatomicae, propõe chamar ao clítoris “despreço dos homens”, verbalizando um pesadelo masculino que pairará caladamente tras os intentos europeios de masificar a cliteridectomia nos séculos posteriores, uma empresa pretensamente científica. Nesse período a literatura médica –mais tarde ampliada pola etnográfica- enche-se de monstruosas gravuras e fotografias de mulheres dotadas de clítores prodigiosos, capazes de intimidar o mais orgulhoso pénis. Fala-se então do tribadismo, prática já documentada polo granadino Al-Hassan ibn Muhamad al Wassan, mais conhecido em Europa como Leão o Africano. Na sua Cosmografia e geografia de África, publicada póstumamente em 1550 como Da descrição de África, fala das fricatrizes de Fez, uma sorte de bruxas possuidas –segundo eles- por yinns, e que gozavam fregando-se entre elas, inconscientes precursoras das ciclistas.

AS GRANDES DESCOBERTAS

1492: Cristóvão Colombo dá início a uma tradição europeia consistente em que homens, igualmente europeios, imponham os seus próprios nomes aos territórios conquistados no novo continente, visto como uma mulher que seducir, dominar e civilizar.

1559: Um anatomista italiano de igual nome que o almirante, Realdo Colombo, reivindica-se descobridor de um novo territorio no continente feminino: o clítoris. “Como ninguém observara antes esta projeção e o seu conteúdo, se se me permite dar nome ao que eu mesmo descobri, proponho baptizá-lo como “amor ou dozura de Vénus”. Seguirão-no na empresa outros como Gabriel Falopio, descobridor de outra ilha feminina que pujo no mapa com o seu nome: “as trompas de Falópio”.

De Colómbia à trompa de Falopio, da lógica sexual do colonialismo à lógica colonial da anatomía, do continente a dominar como uma mulher à mulher a conhecer como um territorio de conquista… Assim foi que as mulheres nahuas passaram de ter zacapilli e zacapilcualt a não ter uma difuminada “mi parte”.

FRAGMENTOS DUM TRATADO DE DEMONOLOGIA (I)

X.R.Mariño Ferro nota uma diferença fundamental entre a representação do demo e das bruxas que se fazem os inquisitores e a cultura popular: os primeiros apresentam uma maldade absoluta, sema restas, enquanto os relatos populares matizam este mal teológico com contos de diabos mais bem parvos, que os astutos labregos sabem vencer (1). É o caso, por exemplo, dos demos que pretendem engañar o camponês no moinho e que, sem decatar-se, rematam trabalhando para o labrego. Creio que havia de gostar muito destas histórias esse grande revolucionário de incógnito que foi G.K. Chesterton, pois tal e como deixou escrito, “os contos de fadas são verídicos não só porque nos explicam que os dragões existem, senão também porque nos explicam que se podem vencer”.

O TRACTOR DE BENDILHÓ

Na cena final do Bienvenido Mister Marshall um tractor paraquedista pousa suavemente numa leira, cumprindo o sonho americano dum concelho espanhol de após-guerra. A tragicomedia de Berlanga representava um povo afundido na miséria, completamente despolitizado polo shock da violência fascista, e cuja única esperança era a chegada do salvador americano, preparada de uma maneira mágica que fai recordar os cultos cargo de algumas ilhas do Pacífico, cujos habitantes dispunham de “pistas de aterragem” para a chegada do deus da Coca Cola. Mas nem sempre o povo foi ese conjunto desarticulado de sofrimentos, despojado de toda potência.

Na Primavera de 1936 os cinquenta e três vecinhos de Bendilhó (Quiroga) repartirom as terras do cura –fugido após receber uns anónimos (1)- entre todas as casas, converterom a reitoral no local do seu sindicato, e solicitaron à CNT colaboração para mercar um tractor para os trabalhos coletivos da aldeia, eregida em Comuna Agrícola Libertária (2). Deu-lhes apoio o Sindicato da Construção da Corunha, que propujo ao Comité Regional Galaico que todos os federados contribuissem para a compra do tractor de Bendilhó por prorrata, projeto cuja materialização só impediu o golpe militar, quando já juntaram vinte mil pesetas (3). Sem aguardarem por nenhum Mister Marshall, Estatuto de Autonomia nem Presidente da República. Sem cultos cargo à espera de messias eleitorais.

(1). Estes anónimos fôrom um género que contou com magníficos cultivadores, como demonstra este de 1788: “(…) párroco de Camanzo, párroco de los demonios, tu acabas ós probes, que lle vendes o que tén para comer; tu non nos vestes, como fai o de Piloño, tu non lles das ferrados de grao…; tu acabas ós probes dos fregueses, cos escribanos queres acabalos de todo… Pois si non despachas ós escribanos, e si non dis a misa pola mañá ás sete, e se non mudas de vida, juramos a Dios que has de amencer queimado…; tamén te decimos que te habemos de queimar as medas e os palleiros… Non che firmamos porque non queremos i outros porque non sabemos…”. Cit. Em C. Burgo López, Un dominio monástico femenino en la Edad Moderna. El monasterio benedictino de San Payo de Antealtares, tese doutoral, Santiago de Compostela, 1985, II, p. 985.

(2). “Los pequeños grandes problemas: Los campesinos de Bendilló (Lugo), desean ensayar el Comunismo Libertario”, Solidaridad nº 43, Corunha, 18 de abril de 1936.

(3). Conta-o Dionísio Pereira em A CNT na Galicia 1922-1936, Briom, Laiovento, 1994, p. 167.

“Não creio que tenha nada de heroico escrever no cárcere; Quem quiger épica que olhe ao seu redor”

O PGL.gal entrevistou ao Carlos, a través dunha carta enviada por correo á prisión de Villabona. Enviáronlla hai case dous meses e chegou de volta contestada por el aínda agora, despois de pasar todas as intervencións ás que ten sometida toda a correspondencia. É a primeira vez que Carlos contesta a unha entrevista. Desta volta, quen fala é el directamente, e fala de todo, do seu libro “Diários” que acaba de editar Através, da vida no cárcere, da xente, da actualidade,… Aquí vai a entrevista completa.

iii

Como se articula um livro no cárcere, sem ter acesso ao computador nem à Internet?

Aqui em Villabona há uma moça basca, a Marina, que está a redigir a sua tese de doutoramento. Parece-me que tem muito mérito. Eu não seria capaz. Apenas dou escrito cousas minhas mui fragmentarias e, de facto, os Diários são isso, apontamentos de leituras, anotações na agenda e cadernos, ideias a lápis nas margens dos livros… A escrita analógica, linear por força, não dá a mesma facilidade para as correções, reescritas e ampliações que dá o computador. Também é mais difícil fazer-se com um corpus bibliográfico: cousas que fora estão ao alcance de um clique, cá dentro leva meses poder consegui-las; há, aliás, que ir escrevendo fichas bibliográficas de todos os livros que podes ter a necessidade de citar mais adiante, mas isto também tem um limite, porque não nos permitem acumular muito papel, sobretudo nos isolamentos.

Polo contrário, no encerramento pode-se fazer um tipo de leitura mais profunda, de ritmo lento, do que aí fora no meio da voragem tecnológica. Contudo, esta leitura intensiva, unida à falta de debate, próprios da razão polémica, e à limitação das fontes, acaba por gerar deformações teóricas, como tem refletido Antom Santos num artigo na revista Murguia. Insisto, porém, no isolamento tecnológico: escritores como Richard Ford reconhecem que é impossível escrever mais de duas linhas se houver uma rede wi-fi, e ele próprio costuma recluir-se na sua cabana do bosque para poder trabalhar. Tão-pouco há que idealizar esta imagem do trabalho solitário. Todo o trabalho humano é, por definição, coletivo e no cárcere é fundamental todas as leituras e o amor que nos enviam. Deste livro, sem irmos além, deveria figurar como autora a Rosabel, o Valentim, o corretor Ivan, o diagramador Matias, os companheiros polas suas conversas nos parlatórios…

De onde surge a força para se sentar diante do papel?

Não creio que tenha nada de “heroico” escrever no cárcere; sinto-me mui incómodo com toda essa épica académico-literária a que tanto tende a cultura galega. Quem quiger épica que olhe ao seu redor, a senhora que cuida os velhos da família sem nenhum reconhecimento, o vendedor de Cds que atravessou o deserto e o estreito por enviar algo de pão à sua casa ou às mulheres que vão à prisão carregadas de valentia e amor. Escrever é um privilegio.

Levas mais de três anos privado de liberdade polo estado espanhol, e, contudo, continuas a participar com os teus textos, com este livro, ativamente, no movimento social. Que pensas sobre a função do ativismo como forma de mudança da nossa sociedade?

Não gosto muito da palavra “ativismo” polo que poda sugerir de diferença (e distinção) com a vida quotidiana, razão pela qual ir à manifestação seria algo “político” mas criar filhos com amor não. Afinal do que se trata é de começar a viver aqui e agora, uma vida que mereça a pena ser vivida, plena e digna, e para isso necessitamos tocar interdependências entre nós – se se quiger podemos chamar a fazer isto conscientemente ativismo – que nos independizem efetivamente do estado, o capital e de todas as relações de dominação. Ninguém o pode fazer por nós, nem sequer os nossos partidos e líderes. A bruxa Avería, que também devia ser algo spinoziana, dizia-o muito bem: «sozinho não podes, com amigos sim». O individuo do liberalismo será livre por escolher entre a Pepsi e a Coca Cola, mas a liberdade real precisa de comunidade de afetos e cuidados, de cooperativas de alimentos e energia, de redes culturais auto-geridas, de línguas sustentáveis e resilientes, de meios de comunicação comunitários…. e fai falta comunidade, sobretudo, para resistir, para defender a alegria.

Um dos teus referentes é Joseba Sarrionandia. No teu livro também falas de Nelson Mandela. De que modo o teu pensamento, motivações e ativismo vê-se influenciado pola tua condição de preso político?

O Sarrionandia sempre foi um referente iniludível de bailes das noites às quintas [risos]. Em geral os presos lemos muita literatura carcerária, não só Mandela, e creio que é porque a experiência do encerramento é um pouco incomunicável, difícil de compartilhar – também a de quem tem alguém querido preso – e nesses livros encontramos sensações comuns. Soará estranho mas quando lim a entrevista ao sair da prisão de alguém que me fica tão nas antípodas como Luis Bárcenas, declarando que na prisão viu muitas malheiras a presos, sempre aos mais indefesos e com total impunidade, sentim que mesmo com esse tipo eu compartia alguma cousa, uma «verdade».

Fascina-me como a gente dos movimentos emancipatórios encontrou no cárcere a skholè, esse tempo libertado da urgência que permite desenvolver o pensamento, que não tinha na sobrevivência do seu dia a dia; conseguindo assim construir filosofias próprias, tarefa que parecia reservada aos notáveis.

Isto gerou uma retranca mui boa: as irlandesas chamavam Universidade da Liberdade à prisão britânica de Long Kesh (Seanna Walsh diz que foi mui importante para a conservação do gaélico). Os curdos não são presos no cárcere turco mas na Universidade Curda, e Ghandi, que devia ter uma ironia prodigiosa, escrevia cartas à gente do seu ashram “a partir do Templo de Yerawada”, prédio que continua a ser uma cadeia infeta hoje em dia. Por que o cárcere é um tema tabu na literatura galega apesar de que, desde 1974, passasse por ela um cento de soberanistas, alguns excelentes escritores? Creio que a resposta poderia dizer muito da nossa cultura política.

Nos últimos anos o processo de desgaleguização acelerou, mas apareceram novas formas de resistência e criatividade social. Quais são, a teu ver, as nossas fortalezas e oportunidades na situação atual?

Vejo com esperança o surgimento de uma constelação de projetos, baseados na autonomia, auto-gestão e democracia direta, pensados para durar, superando o curto prazo de memória de peixe que impõem os ciclos eleitorais. Também tenho a impressão de que um dos movimentos mais fortes é o feminismo, e isso vai ser uma garantia de que todos tenhamos que assumir que a transformação social passa incontornavelmente pola transformação pessoal e a mudança de atitudes e comportamentos nas nossas vidas quotidianas.

Quanto à desgaleguização não sei o que pensar, às vezes entra-me uma vertigem ao pensar que com os velhos e velhas está a morrer um mundo que eu tivem a imensa fortuna de viver de neno e, outras vezes, vejo fotografias das mobilizações labregas em Ordes, com crianças em tratores de pedais e convenço-me de que a indigeneidade tem melhor saúde do que pensava. Disque aí fora ainda ficam crianças que vão às amoras, fam cabanas entre os loureiros e no dia da festa apanham nos prados os canaveiros das bombas.

Politicamente estamos a pagar mui caro a monocultura eleitoral-literária dos últimos anos e o desleixo face à construção nacional e a reprodução social. Apenas levamos uma década a fazer, e isso só uma minoria marginalizada e perseguida, o que em ouras partes como no País Basco, se começou a fazer na década de 1960: construção de escolas, centros sociais, clubes desportivos e gastronómicos, etc. Aqui, com uma maioria de população indígena e galegofalante, talvez pensássemos, como Benito Vicetto, que a Galiza “sempre será a mesma”, e que “apenas” havia que chegar ao governo; mas, no caminho, com a desruralização, foi-se erodindo drasticamente a base material da nação. Cheguei a pensar que com a implosão do nosso PCI haveria um reforço da construção nacional através destes projetos que vão além da política de partidos, mas sucedeu o contrario: reativação das velhas formas de fazer politica com as suas dinamicas mais perniciosas, cooptação de motores importantes dos movimentos sociais e enfraquecimento dos mesmos, que perderam iniciativa. Assim sendo, o mais interessante, o que pode conservar mais bases materiais para a nossa terra, é muitas vezes de gente que não se identifica como soberanista, que quiça nem fale galego mas que está a criar uma economia pós-consumista. a recuperar aldeias de entre as silveiras ou a dar nova vida aos bairros deprimidos com cooperativas de todo o tipo. Têm toda a minha admiração.

Que tipo de respostas esperas com a publicação de Diários? Quais as tuas expetativas?

Michel Foucault pretendia que os seus textos, como os bilitroques, fossem “eficazes como bombas e belos como um fogo de artifício”. Esperar tanto seria mui pretensioso pola minha parte, mas é uma boa bússola na hora de escrever.

O livro inclui vários dos desenhos que elaboraste em prisão. Que te dá o facto de criar imagens?

Tenho amigos, como o Andoni, que calcetam um pulôver para os filhos, outros que fam quadros impressionantes com ponto-de-cruz ou que trabalham -nos cárceres onde isto é possível – o barro. O trabalho manual é mui prazenteiro no cárcere e mui bom para pensar. Às vezes segues argumentações com as mãos que desenham mais do que com a cabeça. “Caminhei até os meus melhores pensamentos” dixera Kierkegaard. Recuperei, ao pintar nos envelopes das cartas para os amigos, as sensações de quando fazia mentalmente os trabalhos da escola indo à erva com o meu avô.

Que dirias às pessoas que te esperam?

Que se vaiam preparando para uma churrascada selvagem, com sidra de Loureda-Soandres e canções do Erasmo Carlos, que aqui dentro não hei de ficar. Como dixera o Teto, nunca choveu que não escampara. Diria-lhes, diria-vos, que é muita a sorte de vos conhecer, que me enchedes de amor e que sinto um agradecimento imenso a todas e todos vós. Que prazer tão grande vai ser abraçar-vos! Mas diria que, enquanto ficar um só preso, um só cárcere em pé, incluídos os cárceres ao ar livre e as das relações de dominação das quais nós próprios somos carcereiros, não seremos realmente livres. Abaixo os muros das prisões! Pele e Terra!

O xoves 26 de Novembro, ás oito da tarde, no Salón de Actos da Facultade de Filosofía de Compostela, presentación-lanzamento público de ‘Diários’

Presentación de 'Diários' de Carlos C. Varela

O xoves 26 de novembro, ás oito da tarde, presentarase ‘Diários’, de Carlos, un libro editado por Através. Será no Salón de Actos da Facultade de Filosofía da Universidade de Compostela (Praza de Mazarelos).

Gustaríanos moito que se enchera o salón, que toda a xente que aprecia a Carlos ou que non o coñece persoalmente pero sinte interese polo seu caso, ou polo que escribe ou polo que debuxa, estivera ese día alí.

Preséntase o seu libro, de artigos e debuxos enviados desde a cadea nestes últimos anos, e el non vai poder estar. Que menos que cubrir a súa ausencia coa nosa presencia, aínda que a súa ausencia nunca poderá ser cuberta por ninguén mentres el non volte para Loureda. Na presentación haberá música, haberá debuxos, haberá letras e haberá a palabra de todas as persoas que desexen falar, para despois facerllo chegar tamén a el e enviarlle todo o ánimo a dentro da prisión. Estará Séchu Sende, autor do prólogo do libro, estará tamén Valentim Fagim, coordenador da edición, e moito máis.

Vémonos o xoves. Non faltedes! Por favor, avisade a toda a xente, compartide, que ninguén quede sen saber, e que todo o mundo acuda á cita!

Onde mercar o libro? Moi fácil, aquí tedes todas as librarías nas que distribúe Através

E a novidade editorial de Através este outono é…

capa libroOs textos que Carlos Calvo nos entrega neste livro som como estouros de estalitroques, como a vaca-loura diante da escavadora, como as bandeiras que aparecem nos prados, como umha janela recém pintada de azul, como um quero-te na ponta da língua, como umha escola com crianças a falar a nossa língua, como pegadas de urso no Courel. Som palavras criadoras.

O livro de Carlos Calvo deveria estar na mao de muita gente. Nas cafetarias dos liceus, nas bibliotecas públicas, nos albergues de montanha, nas salas públicas dos hospitais, nos salons de cabeleireiros, no revisteiro dos bares. É desses livros que facilitam a vida porque a explicam. Um desses livros onde as cousas se explicam bem, de forma singela, para facilitar as dificuldades. Este livro ajuda, assiste, colabora. Talvez haja quem pense que todos os livros ajudam. Mas o de Carlos Calvo tem a raiz na generosidade de quem participa ativamente com as suas palavras neste projeto que queremos transformar e chamamos Galiza, Mundo, Vida. Porque Carlos Calvo é um ativista. Apesar de que queiram desativá-lo entre as quatro paredes dumha prisom espanhola, Carlos Calvo dinamiza, ativa, participa e transforma.
Sobre Diários. [Prólogo de Sechu Sende]

Título: Diários
Autor: Carlos Calvo Varela
Data de impressão: outubro 2015, 1ª edição
Edita: Através Editora
Descrição: 123 páginas + 20 pág. de desenhos, 19 x 13 cm
Encadernação: brochado
Coleção: Através das Ideias, 8
Capa: Hugo Rios
Diagramação: Matias G. Rodríguez
ISBN: 978-84-87305-97-9
Depósito legal: C 1906-2015
Preço Clube: 11,20 €
Preço Livrarias: 14 €

Por que e que é 25/2015 (A exposición)

Once locais de Santiago, A Coruña, Vigo, Lugo, Ferrol, Ordes e A Laracha acollerán durante todo o mes de setembro unha exposición simultánea de debuxos de Carlos

A mostra recolle parte dos centos de desenhos que enviou en cartas a amigos e familiares nos últimos tres anos desde as sete prisións polas que leva pasado desde que o detiveron en setembro do 2012

Titulada 25/2015, número da última sentenza provisional da Audiencia Nacional que o condenou a 7 anos de cadea, a exposición pretende ademais chamar a atención sobre a situación na que se atopa el, encarcerado a centos de quilómetros da súa casa e pendente do recurso no Tribunal Supremo no que se reclama a súa absolución

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Once locais acollerán durante todo o mes de setembro unha exposición simultánea de debuxos de Carlos. A mostra poderá verse durante todo o mes en varios puntos da xeografía galega. Así, estará á vez en Ferrol (Ateneo Ferrolán), A Coruña (Centro Social Gomes Gaioso e Ateneo Libertario Xosé Tarrío), Santiago de Compostela (Centro Social Gentalha do Pichel, Taberna O’Pozo, As Dúas S. Cooperativa Galega e Café/Bar Caldeirería 26), Vigo (Bar De Catro a Catro), Lugo (Centro Social Madia Leva), A Laracha (Barbería de Masús) e Ordes (Bar Orellas).

Baixo o nome 25/2015, a exposición recolle parte dos centos de debuxos que, ao longo dos últimos tres anos, Carlos enviou por carta aos seus familiares e amigos desde as sete prisións diferentes polas que leva pasado. Preso actualmente no centro penitenciario de Villabona (Asturias), Carlos, que tamén colabora habitualmente con varios medios de comunicación escribindo desde o cárcere artigos de análise social e política e tamén de carácter filosófico e antropolóxico, está pendente de que se acabe de tramitar o recurso interposto ante o Tribunal Supremo contra a última sentencia da Audiencia Nacional que en abril o condenou provisionalmente a 7 anos de prisión. A defensa de Carlos reclama a súa absolución despois de que fose condenado na sentencia número 25/2015 por uns feitos que lle son totalmente alleos e dos que nin sequera fora acusado e nin se debateron nin mencionaron durante o xuízo.

Todos os debuxos expostos poderán ademais adquirirse. En total, a mostra 25/2015 está formada por 60 debuxos diferentes de Carlos C. Varela e de cada un deles hai dúas copias. Cada un dos 11 espazos participantes na mostra expoñerán un total de dez debuxos, de xeito que ningún dos locais terá nas súas paredes exactamente as mesmas obras que outro.

Carlos está desde hoxe na prisión de Villabona (Asturias)

escreveCarlos foi trasladado de prisión. A partir de hoxe está no cárcere de Villabona, en Asturias. Pedimos por favor a toda a xente que lle escribe que o faga ao seu novo enderezo:

Carlos Calvo Varela

Centro Penitenciario Villabona

Finca Tabladiello

33422 Villabona-Llanera (Asturias)

De Loureda a Villabona hai 274 quilómetros, 3 horas de viaxe ida, tres horas de viaxe volta. Segue sendo moitísimo, aínda que certo é que desde que o prenderon nunca estivo tan preto da casa. Nestes dous anos e case dez meses que leva privado de liberdade, Carlos pasou xa temporadas, algunhas máis longas que outras, nos penais de Soto del Real, Aranjuez, Valdemoro, Navalcarnero, Topas e Estremera. Agora toca nova etapa na asturiana de Villabona. Tanto Carlos como o seu avogado reclamaron por todas as vías o seu traslado a Galiza. Despois de clasificalo e valoralo, Institucións Penitenciarias decidiu que polo momento o seu lugar de destino non será unha prisión galega, senón a de Villabona. Carlos chegou ben alí, hoxe mesmo, despois de saír o pasado luns da prisión de Estremera e estar o luns, martes e mércores en varias prisións intermedias de Madrid, Castela e até pasou por Teixeiro. En Asturias ubicárono directamente no módulo de aislamento, como sempre estivo nas outras prisións até o de agora, e con ánimo continuaremos levándolle até alá toda a forza que faga falta mentres seguiremos a reclamar por todas as vías o seu traslado a Galiza e que se faga xustiza no seu caso pendente aínda de revisión xudicial.

Carlos espera a partir de agora polas vosas cartas en Villabona. Escribídelle unhas letras, sempre e sobre todo estes días!! Lembrade que todas as súas comunicacións están intervidas, como sempre foi, polo que as cartas tardan semanas en chegarlle e todas son revisadas antes de entregarllas. Grazas a toda a xente que lle dá ánimo. Seguiremos camiñando, un chisco máis aliviados, paso a paso.